terça-feira, 28 de julho de 2009

I'm (not) Happy!

Uma das coisas que mais vontade me dá de rir – e quando digo vontade de rir quero dizer rir como se não houvesse amanhã – são os temas especiais das revistas femininas.

Já sei o que estão a pensar e primeiro que tudo convém desde já desmistificar esta questão: sim, eu leio revistas femininas.

Melhor dizendo, eu TAMBÉM leio revistas femininas. Assim está melhor.

O também faz toda a diferença nesta frase, não só porque afasta quaisquer suspeitas que possam recair sobre mim no que toca à minha sexualidade (promove a ideia de que somos muitos a ler as revistas femininas, logo não podemos ser todos gay), mas também porque é um dado adquirido que em quase tudo o que são cabeleireiros, salas de espera, consultórios e gabinetes há sempre uma revista feminina com pelo menos um ou dois anos de idade, e com temas surpreendentemente actuais. Mais tarde ou mais cedo acabamos sempre por ler.

Vamos avançar com um exemplo, e para não ferir susceptibilidades achei por bem proceder a uma escolha completamente aleatória. Saiu a Happy!

Na capa de Março deste ano a Happy fazia alarde aos seguintes temas:

- Que idade tem a sua pele?

- Roteiro de Swing.

- Espíritos: fomos falar com eles!

Há 7 meses atrás, na edição de Agosto de 2008, a mesma Happy avançava com os seguintes temas:

- À procura do melhor hidratante: quando a pele pede água.

- Guião para se tornar uma dominadora: uma viagem alucinante ao mundo da dominação!

- Viagem aos seus outros “eus”: regressar à infância sem terapia.

Rapidamente concluimos que passados apenas 7 meses a Happy ainda continua a falar da sua pele, continua a vender sexo quase como se tivesse colocado um repórter infiltrado durante meses num qualquer sub-mundo fetichista e subversivo, (quando na verdade devem ter realizado uma pesquisa rápida na internet), e continua a explorar o seu lado mais esotérico, e se há 1 ano atrás prometia uma viagem à sua infância por apenas 1,50€ (preço em vigor em Agosto de 2008), há 4 meses atrás deram-se ao trabalho de entrevistar espíritos a um preço que nem o Prof. Karamba ou o Mestre Mambo conseguem superar.

Ora já é suficientemente mau que a Happy ocupe cerca de 60% do seu espaço gráfico com publicidade directa ou indirecta, mas é ainda pior quando os 40% destinados a conteúdos editoriais são ocupados com coisas tão credíveis como entrevistas a espíritos.

Não quero parecer mesquinho mas isto a mim soa-me a aldrabice.

Outra coisinha que causa alguma urticária é a escolha da modelo que habitualmente faz a capa das Happy. A este respeito tenho apenas uma pergunta a fazer: porque razão escolhem sempre modelos anoréticas, com aquele aspecto doentio de quem só comeu uma folha de alface e meio tomate nos últimos 5 dias?

Aqui as revistas masculinas ganham aos pontos. Na FHM ou na Maxmen por exemplo as modelos nas capas vendem saúde, e não têm aquele aspecto enfermo de quem está a precisar duma tosta mista e duma transfusão de sangue a qualquer momento.

Mas o problema não está na embalagem, está naturalmente nos conteúdos, o que nos remete para o primeiro parágrafo deste post, os temas especiais das revistas femininas:

Sara, 30 anos, casada e com um filho: venceu a hipocondria.

Mas quem é esta Sara? Não tem último nome?

Filipe, 32 anos, arquitecto: gosta de ser dominado pela mulher quando chega a casa.

Humm.. E não é isso que acontece a todos os homens quando chegam a casa do trabalho?

Mariana, 34 anos, gestora: gosta de usar pinças, chicotes e mordaças.

Reparem que as jornalistas da Happy nunca perguntam o 2º nome aos entrevistados. Dá aquela ideia de estarmos a falar com alguém que nos é próximo, quase família! Muito bem pensado!

Paula, 40 anos, tem um filho de 11: gosta de passar uma semana na praia com o filho Miguel, e uma semana a divertir-se com os amigos fora do país.
Este testemunho é tão real mas tão real que parece ter saído do programa da Conceição Lino da SIC, o Nós Por Cá. Reparem nas semelhanças:

Paula, 40 anos, tem um filho de 11: trabalha 9 horas por dia para ganhar 800€/mês e ao fim-de-semena vai com as amigas para Ibiza.

É no mínimo absurdo que a revista feminina que mais vende em Portugal esteja tão distanciada da nossa realidade, o que só vem provar que as pessoas gostam de sonhar com um estilo de vida que na realidade sabem que não vão ter em momento algum da sua vida.

Voltemos aos contéudos. Convencido de que também eu seria capaz de produzir conteúdos igualmente happy!, resolvi debruçar-me seriamente sobre o assunto. Propus-me então encontrar um daqueles temas especiais de capa, forte, apelativo e com uma aplicação prática no quotidiano das mulheres com gato.

Um artigo one-fit capaz de servir a todas as mulheres com gato. Acima de tudo algo credível. Bom, talvez não tanto como as entrevistas a espíritos, mas afinal eu também não trabalho na Happy!

Esta é portanto a minha sugestão para a capa da revista Happy do próximo mês de Agosto, e com isto pretendo provar duas coisas:

- não percebendo nada de revistas femininas, consigo fazer melhor que a Happy.

- tenho um jeito incrível para vender melões na recta do Porto Alto.

Ele é o homem certo para si? Descubra a resposta nesta edição!
Método revolucionário escolhido por juri científico.

Cá está. Não conheço mulher com gato capaz de resistir a uma capa destas, e estou certo que uma revista feminina com este tema na capa vendia mais que melões na recta do Porto Alto.

Esta é a minha sugestão, e a mulher com gato que nunca quis se o fulano tal é o homem certo, que atire o primeiro melão.

...

Bem me parecia.
post-scriptum acrescento só mais uma coisa: como sou dado a efemérides, 1 ano depois de comprar a revista Happy pela 1ª vez (em Agosto de 2008), resolvi fazê-lo novamente com a edição de Agosto de 2009. E 1 ano depois encontro exactamente o mesmo tema na capa (regressão), e as mesmas modelos anoréticas, pálidas e com ar doentio.
Ou muito me engano ou não tarda mesmo nada devem estar para rebentar mais entrevistas a espíritos..

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Caglota, a segueia

16 de Julho. Chegou ao fim a primeira etapa do desenvolvimento académico do meu filho. Hoje cumpriu o seu primeiro objectivo, e com mérito: terminou a pré-primária.

Bem sei que a efeméride é de importância relativa para quem está de fora, mas para mim, um confesso pai babádo, hoje o Martim consolidou o primeiro alicerce daquilo que virá a ser enquanto homem, anos mais tarde.

A data foi devidamente assinalada com uma festa de finalistas no anfiteatro da escolinha.

Tudo corria dentro da normalidade quando o animador de serviço anunciou uma peça de teatro chamada Carlota, a sereia. Ajeitei-me um pouco melhor na cadeira – porque estas coisas dos miudos demoram sempre o seu tempo -, e fez-se silêncio na sala.

Três ou quatro minutos depois começo a ouvir a voz da narradora.

Caglota, a segueia..

Susti a respiração por breves instantes porque pareceu-me ter ouvido mal..

Ega uma vez uma segueia chamada Caglota..

Hummm.. Não, não ouvi mal. A narradora trocava os erres pelos guês. Será possível que ninguém tenha dado por isso no ensaio da peça? Aparentemente não porque a coisa continuou no mesmo guegisto, desculpem, registo.

Caglota vivia sozinha no mag, e estava tguiste pogque não tinha nenhum amigo paga bguincague..

Procuro mudar novamente de posição. Avizinha-se uma crise de urticária fulminante.

Um dia Caglota conheceu um pescadogue chamado Jeguemias..

Jeremias?! Mas será que não havia nenhum texto com mais “erres”?!

Apeguecebendo-se que Caglota estava tguiste, Jeguemias pegguntou a caglota se ela não queguia bguincague no bagco dele..

A nagadôga continuou neste registo durante toda a peça, o que naturalmente deu asas à minha imaginação prodigiosa.

Por exemplo, como seria viver um amor com uma pessoa assim? Sempre ouvi dizer que o amor não se procura, encontra-se. Então e se a senhoga dos guês me encontrasse? Como seria viver apaixonado por uma pessoa assim?

Teguêsa: Queguido, passas-me o entguecosto pogue favogue?

Eu: O entrecosto linda?

Teguêsa: Sim, o entguecosto..

Eu: Oh Teresa, diz comigo vá.. Entree...

Teguêsa: Entgueeee..

Eu: (... suspiro ...)

Teguêsa: Quegues mais sumo de laganja amogue?

Ahhhhhhhhhhhh! Não dá! Eu não sei se existem muitas mulheres com gato que troquem os erres pelos guês, mas se existem, essas à partida deixam de fazer parte da solução.

Este episodio insólito fez-me lembrar outros incidentes do género, por entre os muitos que vão decorando o meu álbum particular dedicado a encontros imediatos de 3º grau.

Assalta-me à memória um já antigo, com uma namorada do meu período pós-adolescente. Chamava-se Natacha e depois de algum tempo de troca de olhares e muito flirt, as coisas aqueceram numa saudosa noite de verão na Discoteca Seagull. Saudosa pela discoteca entenda-se, que explodiu em 1998 e com ela as recordações duma geração inteira, vaporizadas em segundos numa enorme bola de fogo.

Eu e a Natacha prosseguimos com o nosso affair, e pouco tempo depois calhou irmos até uma panificadora (ainda) muito afamada na zona, popularmente conhecida como bolos quentes. Provavelmente porque também vendem bolos, e porque estão quentes. Humm..

A Natacha teve então a infeliz ideia de pedir um palmier recheado. Infeliz porque entretanto começou a falar, do quê não me lembro bem mas lembro-me claramente de ver o palmier a revolver-se na boca dela dum lado para o outro. Blheeerk..

A história da Natacha terminou mais ou menos nesse momento, e durou pouco mais que o tempo de vida dum palmier.

O lado positivo da história: eu como de boca fechada, e não consigo afeiçoar-me a pessoas que comem de boca aberta. É um princípio elementar da educação.

O lado negativo da história: quando vou beber café com alguém tem de ser um café e um bolinho, não vá afeiçoar-me depressa demais à pessoa e ao bolinho.

Este episódio já tem uns aninhos largos, mas outro bastante mais recente promete ultrapassar os limites dos insólitos Yorn, onde tudo pode acontecer.

Conheci a Sofia pela net. Uma mulher moderna, culta, muito elegante, cuidada, e embora sofresse duma crise de auto-estima agudizada por uma relação recente menos conseguida, era uma pessoa que mantinha as suas prioridades bem presentes.

As coisas foram acontecendo de forma natural e numa certa ocasião aceitei o convite para um jantar chez-Sophie.

O facto de ser o primeiro jantar a sós conferia alguma formalidade ao acontecimento, que a própria Sofia nunca contrariou. Seria portanto um alegado – gosto muito desta palavra porque dá imenso jeito e alegadamente dá para usar em qualquer circunstância – jantar romântico.

Dizem os especialistas que 45% da primeira imagem que construimos de alguém vem apenas daquilo que conseguimos captar com os olhos. Ora, os 45% dessa primeira imagem foram dizimados por duas pantufas gigantes em forma de leão com pêlos até aos joelhos, e um deprimente robe numa côr indefinida entre o lilás e o violeta.

Jantamos bacalhau com natas, e a as pantufas eram de tal forma desproporcionadas que a ideia de colocar uma tijelinha no chão para alimentar as duas feras, na altura pareceu-me fazer todo o sentido.

Não me recordo do que falamos. Confesso que entrei naquele estado Charlie Brown em que já não ouvimos mais nada, só os monosílabos da professora uô uuô.. uô uô uô..

Ali estava eu aprumado com rigor e carinho, a dar o melhor de mim para duas feras de pêlo farfalhudo ao melhor estilo dos marretas, enrolados num robe que podia ter saído do guarda-roupa da minha falecida avó.

Escusado será dizer que as pantufas tiveram o mesmo desfecho que o palmier.

Posto isto pergunto-me, caramba, será assim tão difícil encontrar a peça que falta?

O palmier, as pantufas, os guês, e todos os epifenómenos ao melhor estilo da Quinta Dimensão que foram acontecendo comigo até aqui, pergunto-me, será que nesta história não serei eu o visitante do espaço?

Se calhar estacionei a minha nave espacial em 2ª fila numa qualquer rua de Lisboa, e foi rebocada pelo pessoal da EMEL. É isso.

Começo a questionar-me se toda esta história dos erres pelos guês não será no fundo uma grande metáfora da minha vida recente. Uma epifânia iluminada na forma duma narradora disléxica!

E se for eu o elemento estranho no meio de tudo isto? E se for eu o érre que não se adapta num mundo de guês?

Eu: Peço desculpa, mas têm horas que me digam?

Senhoga 1: São quatgo e tguinta e tguês..

Eu: Ah! Obrigado!

...

Senhoga 2: Guepagaste? Este tgoca os “guês” pelos “erres”..

Senhoga 1: Guepaguei! Que cgomo! (risos)

terça-feira, 14 de julho de 2009

T2 para 3.

Amor a dois, sexo a três.

Isto traduzido para francês escreve-se ménage-à-trois, e sim, depois de não-sei-quantas entradas no blog do Homem com Cão vamos finalmente falar de sexo!

Confesso que pensei para mim próprio bem se calhar é melhor introduzir esta temática senão vão pensar que és gay! Digo isto porque no universo dos homens com cão as coisas são muito simples.

Por exemplo, numa conversa entre dois homens com cão, se um deles não fala de sexo ao final de 5 minutos então é um gajo tímido.

Simples.

Mas se o mesmo indivíduo continua a não falar de sexo ao final de 10 minutos, então é de certeza mais gay que o Elton John. Só pode.

(ao final de 3 minutos..)

Gajo 1: .. e lá no meu escritório é que se ‘tá bem.. Tenho lá uma gaja com um par da mamas que é uma lô-cu-ra!

Gajo 2: Pois eu não tenho nada disso, mas ontem montaram uma fotocopiadora nova no piso 2!

Gajo 1: Uma fotocopiadora nova.. Ouve lá?! Tu és um bocado tímido não és?

(ao final de 8 minutos)

Gajo 1: .. e a gaja dobrou-se toda para apanhar o agrafador e não estás bem a ver, aquele rabo todo redondinho ali à minha frente!

Gajo 2: Pois.. Nós estamos em contenção de custos e retiraram-nos os agrafadores..

Gajo 1: Ouve lá?! Tu és um bocado abixanado ou é impressão minha?!

Gajo 2: Eu?!

Gajo 1: Pshtaa! Não me toques q’ainda me passas qualquer coisa!

Simples, portanto.

Voltando à vaca fria – em francês la vache frois, embora neste caso o estrangeirismo fique claramente a perder -, o sexo a três está a subir de interesse não só entre os homens que continuam a perseguir o El Dourado – estar com duas mulheres em simultâneo mesmo sabendo que mal dão para uma -, como entre as mulheres, e esta é que é a novidade.

Independentemente das razões – rotina, álcool ou simplesmente porque a mulher do vizinho é melhor que a minha -, o sexo a três parece ser cada vez mais politicamente correcto.

Aquilo que era considerado perverso, ou até mesmo um comportamento desviante há anos atrás, é agora uma prática social liberalizada e enquadrada por um novo conjunto de regras éticas.

Há anos atrás quando dois casais discutiam pormenores da sua vida íntima, o pináculo da loucura era admitir que faziam sexo no carro! Ou num sítio público onde se calhar pelo menos uma pessoa pode ter visto qualquer coisa ao longe. Uuuuh..

Casal 1 dos anos 80: Então e digam lá.. O que é que vocês, seus doidos, gostam de fazer?

Casal 2 dos anos 80: Nós.. Ainda há dias.. Fizemos dentro do carro, na praia! Uhhh!

Casal 1 dos anos 80: A sério??! E não tiveram medo que passasse alguém?!

Casal 2 dos anos 80: Era de noite e a praia estava deserta, mas passou um barco ao fundo!
Sonoooo..

Hoje em dia tudo está diferente.

Loucura é dizer que se esteve com a namorada no meio de 50.000 pessoas num festival de rock enquanto uma banda qualquer estava a tocar, ou num domingo à tarde na praia com água pela cintura.

Fetiche já não passa por fazer numa casa-de-banho dum centro comercial, mas no sofá duns amigos durante uma festa, numa cabine dum peepshow com a stripper a ver, ou com outro casal no mesmo sítio.

Os tempos são outros e o que era censurado há anos atrás é hoje em dia mais ou menos natural atendendo à cada vez maior liberalização sexual duma sociedade que foi, até aqui, conservadora e de bons costumes. Pelo menos fora de portas.

E é neste contexto que surgem os trios, mas é também chegado aqui que nos deparamos com um problema assaz perturbador. Os homens com cão querem e as mulheres com gato aparentemente também. Mas será que querem a mesma coisa?

Conselheira Matrimonial: Já ponderaram a possibilidade de introduzir uma 3ª pessoa na vossa relação?

Marido visivelmente entusiasmado com a ideia: Oh Dra. eu acho que isso pode resultar sabe?

Conselheira Matrimonial: Penso que pode ser uma solução, sim.. Mas depende de consentimento mútuo.

Marido ainda mais entusiasmado com a ideia: Mas claro que nós aceitamos! Até já estou mesmo a ver a pessoa ideal para isto, aquela nossa vizinha do 2ºB, aquela doida!

Conselheira Matrimonial: Eu disse uma 3ª pessoa. Pode ser um homem.

Marido já não muito entusiasmado com a ideia: Oh Dra. (cooff cooff!) isso está completamente fora de hipótese. É que nem se coloca a questão.

Conselheira Matrimonial: Mas porque não?

Marido visivelmente irritado com a ideia: Porque não! Porque na minha mulher ninguém toca! Olha agoooora..

Certamente não terá passado despercebido a ninguém o insuspeito questionário alinhado em rodapé ao longo das últimas semanas.
Perguntava então qual é a fantasia mais recorrente das mulheres com gato, avançando 4 possibilidades: estar com o namorado e com outra mulher; estar com o namorado e com outro homem; aventurar-se no swing; ou ficar simplesmente a ver.

O resultado foi elucidativo. 82% de mulheres com gato responderam que a fantasia mais recorrente é estar com o namorado e outro homem. Ou seja, de todas as mulheres que responderam a este questionário e que querem realizar este desejo, apenas 18% estão dispostas a fazê-lo com outra mulher.

(importa fazer uma pausa para dizer que neste preciso momento já chegaram aqui ao blog 32 mensagens de homens com cão, a pedirem o e-mail desses 18% que estão dispostas a fazê-lo com outra mulher...)

Olhando para isto com alguma seriedade, no post anterior ficamos a saber que 68% das mulheres entre os 25 e os 49 anos vivem sozinhas por opção, e neste acabamos de ser esmagados com uns esclarecedores 82% de mulheres que acham que não chegamos para as encomendas.
É o desespero.

Aparentemente as mulheres com gato não só não querem viver connosco, como também não querem f**** connosco. Passa-me à memória o livro do Miguel Esteves Cardoso, O Amor é Fodido.

Cai por terra o El Dourado dos homens com cão.

Para a maior parte de nós este vai continuar a ser o desejo maior que todos os anos pedimos ao pai natal.

Humm.. É talvez por isto que tantos de nós ainda acreditam no pai natal.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Sozinha em Casa

É um facto incontestável: existem cada vez mais mulheres a viverem sozinhas por esse mundo fora, em Portugal mais concretamente, e no meu prédio em particular!

A dimensão do problema é global e para ter essa percepção basta uma rápida pesquisa no google, e encontramos desde logo resultados perfeitamente esclarecedores.

Há que usar algum cuidado na terminologia mas os resultados estão à distância dum clik.
No meu caso de dois cliks, porque o primeiro foi duma ingenuidade que já não se usa em pesquisas na internet nos dias de hoje. Experimentem procurar em mulheres sozinhas e no topo dos resultados encontramos logo mulheres carentes e sozinhas à procura de prazer em Aveiro.
...
Mas porquê Aveiro?! Será esta uma cidade particularmente carente e à procura de prazer?!

Corrijo o erro para um menos lúdico mulheres a viver sozinhas.

Tec tec tec.. enter!

O primeiro resultado não deixa margem para quaisquer dúvidas. São cada vez mais as mulheres a viver apenas com o seu gato, e existe até um blog (!) com dicas e sugestões para lidar com todo este processo duma forma mais segura e confiante.

A julgar por um recente estudo realizado nas grandes capitais europeias, quase 68% das pessoas a viverem sozinhas entre os 25 e os 49 anos são efectivamente mulheres, o que coloca uma outra questão muito pertinente: se a cada 100 mulheres entre os 25 e os 49 anos de idade 68 vivem sozinhas, isto significa que existem 68 homens completamente entregues à sua sorte, sem comida no frigorífico, com roupa espalhada por toda a casa, e com a PS3 permanentemente ligada no chão da sala.

Ainda há dias falava com uma amiga minha, e a propósito duma foto que ela tinha publicada no perfil disse-me que todas as 5 amigas que estavam nessa foto viviam sozinhas.

Homens com cão, lembram-se do filme Apollo 13? Poooois é..

Houston, we have a problem.

Resolvi fazer aquilo a que os brasileiros chamam dum enquéte (lê-se enquétchi mas em português escreve-se inquérito mesmo..) junto das minhas amigas que optaram por esta forma de estar aparentemente desalinhada, mas feliz.

Os resultados são surpreendentes, mas apenas para os homens com cão mais distraídos.
À pergunta o que mais detestavas quando estavas junta, as respostas sucedem-se mas sempre com estes pontos em comum:

1. O Relatório.
Perguntar a uma mulher com gato onde é que estiveste? deve ser seguramente uma das coisas mais absurdas que qualquer homem com cão pode perguntar. Sobretudo se for no final dum dia de trabalho, quando só apetece é entrar na banheira e relaxar num demorado banho de imersão (que nunca será muito demorado porque é preciso fazer o jantar..).

Prestar contas é aliás uma das coisas que mais muda de tom ao longo duma relação, senão vejamos:

(no final do primeiro mês)

Ele a fazer o jantar: Onde é que estiveste queridinha?

Ela: Ohh tão querido! Estás preocupado com o teu bichinho bébé?

(no final do primeiro ano)

Ele sentado no sofá a ler o jornal: Mas onde é que tu estiveste?

Ela: Lá vens tu com as tuas perguntas! Estive a trabalhar, o que achas?!

(antes da separação)

Ele refastelado no sofá, a ver a Sporttv, com os pés em cima da mesa de centro, e a beber cerveja à patrão, já com duas garrafas vazias a manchar o soalho: ‘Atão?! Vais dizer-me onde é que estiveste ou não?!

Ela: Olha, nem te respondo... Fizeste alguma coisa cá em casa ao menos?

2. Adeus cozinha!
A primeira coisa que as mulheres com gato deixam de fazer depois de conquistada a sua independência é... o jantar!

Se há coisa que irrita é, logo a seguir ao relatório, ter de ir a correr para a cozinha fazer o jantar, e muitas vezes fazer o jantar para o seu marido/junto, porque se fosse só para si provavelmente passava bem só com uma sopa e umas tostas integrais.

E depois há homens com cão que não se alimentam com qualquer coisinhaaa...

Ele: Vais fazer o quê para o jantar amor?

Ela: Ainda não sei bem..

Ele: Sabes o que me apetecia?

Ela: Humm.. O quê?

Ele: Um bifinho grelhado com umas batatas fritas e um ovo estrelado!

Ela já a fazer contas à louça: ... Um bifinho grelhado ...

Ele: Sim! Com batatinhas fritas e um ovo estrelado. E com um arrozinho de manteiga igual aquele que a minha mãe faz, estás a ver?

Ela: ... Igual ao que a tua mãe faz ...

Ele: Sim! Olha e entretanto podias era trazer aquelas tuas tostinhas integrais com manteiga e uma Heineken aqui à sala. Está a dar o jogo.

3. Horários.
Dividir a casa com alguém significa obrigatoriamente ter horários para tudo, e o problema assume outra dimensão quando o seu horário passa a ser o horário dele, e o despertador toca às 6.30h quando você só precisa de sair da cama às 8h.

Isso só por si já é mau, mas pior ainda é passar essa hora e meia a dizer vá levanta-te; está na hora; assim vais chegar atrasado; vá láaa.. deixa-me dormir!

Do jantar já falamos, mas também para isto tem de haver horas marcadas, e mais uma vez o seu relógio terá de entrar no fuso horário do seu marido/junto, obrigando-a a desdobrar-se em esforços para que chegada a hora esteja a comida posta no prato.

Pior mesmo só ter horas marcadas para ter sexo, e aqui a questão assume outros contornos uma vez que nesta situação é o seu relógio biológico que tem de adaptar-se, e não aquele que traz no pulso.

Neste capítulo em particular as sozinhas em casa são incomparavelmente mais felizes e mais satisfeitas, uma vez que podem escolher quem querem ter na sua cama, a que horas, e durante quanto tempo. E se não quiserem ter ninguém na cama, podem fazer o que bem entenderem porque não está lá ninguém a perguntar isso leva pilhas?

4. Tampo da sanita para baixo.
Parece uma coisa tão simples - e é assim tão simples – mas não há volta a dar.
Conseguimos descobrir o fogo, inventar a roda, a televisão, ir à lua e papar as telenovelas da TVI, mas ainda não conseguimos baixar o tampo da sanita.

O verdadeiro teste à capacidade de adaptação de qualquer homem com cão. E são poucos os que o conseguem rotinar por iniciativa própria, sem as habituais reprimendas das companheiras.
E se no início quando tudo são rosas, a coisa até se leva com alguma boa disposição, o passar do tempo encarrega-se de transformar um gesto aparentemente inofensivo no assunto recorrente de qualquer discussão conjugal.

Os homens com cão simplesmente não percebem a amplitude da questão, mas para uma mulher com gato aflitíssima, depois de correr pelo corredor em bicos de pés com a ligeireza do Francis Obikwelo, chegar à casa-de-banho, ter de desapertar uma série de botões, o cinto, baixar as calças e encontrar ainda o tempo da sanita levantado... Enfim, é desesperante!

E falar do tampo da sanita levantado é o mesmo que falar do lavatório cheio de pêlos depois da barba e do aparar de cabelo, ou do rolo de papel higiénico gasto que fica eternamente pendurado no suporte.

Há aliás casos documentados de homens com cão que venderam as suas casas, ainda com o rolo que inicialmente estava pendurado quando fizeram a escritura da casa pela 1ª vez.

5. O roupeiro é meu!
Qualquer mulher com gato que resolva juntar os trapinhos, aceitando dividir o seu castelo com o namorado (nestes casos diz-se namorado do inquilino que não paga renda), passa pela experiência traumatizante de ver o seu espaço gradualmente reduzido dentro da sua própria casa.

Tudo começa com um objecto aparentemente inofensivo: a escova de dentes. Pequena, portátil e dissimulada a escova de dentes funciona como uma espécie de Cavalo de Tróia. Quando der por si tem a casa virada do avesso e o seu estilo de vida está em vias de extinção.

Pior, em vez de ter o Brad Pitt de sandálias a dar-lhe cabo dos bibelots, tem o seu namorado de sandálias a dar-lhe cabo dos bibelots. Entretanto toma consciência de outra realidade deprimente: o seu namorado não é o Brad Pitt.

Com o passar do tempo (dois ou três dias no máximo..) o caos chega ao seu roupeiro. E onde até à pouco tempo atrás (dois ou três dias antes..) tudo estava arrumado de acordo com cores, padrões, estilo, estação e acessórios, agora está amontoado numa pilha desordenada, porque precisou de libertar espaço para as t-shirts coçadas do seu namorado, aquelas dos tempos de solteiro que ele insiste em guardar e você não percebe bem porquê.

Daí a ter roupa suja junto da sua que está impecavelmente limpa é um passo ainda mais curto, e daí ao par de patins é mesmo um instante.

Lembram-se de ter dito qual era a primeira coisa que uma mulher com gato deixa imediatamente de fazer quando está sozinha? O jantar. E porquê? Porque vai arrumar o roupeiro.

Bottom line, as mulheres estão cada vez mais fartas dos homens, e a julgar pelos resutados estatísticos não os querem para viver nem sequer enrolados em algodão doce.
Tomam as suas próprias decisões, voam nas asas do desejo e vivem o momento livres, no conforto do silêncio, sem horas marcadas, sem rotina, e sem compromissos.

Resta saber onde termina a felicidade e começa a solidão.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

As mulheres e a WC

Nota: este é um texto adaptado do original e que me foi enviado pela minha amiga Vânia Guimarães. Desconheço a origem, mas gostei tanto que resolvi reeditá-lo para o Blog do Homem com Cão.

É sem dúvida um dos maiores tabus de todas as mulheres com gato, e uma das questões que mais inquietam o espírito dos homens com cão. Um mistério perturbador e que foi mantido em segredo durante gerações e gerações, ergh.. pelo menos até agora.

Afinal, porque raio vão as mulheres aos pares à casa de banho?

Para encontrar a resposta a esta questão é necessário recuar no livro de memórias que tem guardado com carinho, até à ternurenta idade em que a sua mãe a acompanhava à casinha, porque bem vistas as coisas foi aí que tudo começou, com um simples: nunca, mas mesmo nunca te sentes numa sanita duma casa de banho pública!

Da mesma forma que na vida animal os passarinhos têm inevitavelmente de enfrentar o destino no primeiro vôo em céu aberto, sem a ajuda da mamã pássara, também no caso das mulheres com gato chegará aquele dia em que a mamã não vai lá estar para ajudar a fazer xixi.

Mas não se pense que as mulheres com gato são lançadas à sorte sem ajuda das progenitoras. Nada disso.

Chegado o dia do primeiro xixi, a jovem mulher com gato repete criteriosamente todos os processos que aprendeu com a sua mãezinha, desde limpar o tampo da sanita com papel higiénico, a colocar as tiras de papel no perímetro da sanita, passando pela lição mais importante de todas: a posição, que consistia em balançar o corpo sobre a sanita evitando o contacto com o dito tampo.

A posição é uma das primeiras lições de qualquer menina com gato, e é talvez a de maior utilidade para a vida de qualquer mulher.

Mas continua a ser penosamente dificil de suportar, sobretudo quando a aflição atinge níveis de retenção de líquidos só comparáveis ao de um camelo em pleno deserto marroquino.

Normalmente quando a aflição chega, a mulher com gato aflitíssima encontra sempre uma fila de outras mulheres com gato, igualmente aflitíssimas, sorrindo amavelmente entre si, de braços e pernas cruzadas, procurando evitar movimentos bruscos naquela posição típica do estou aqui estou a fazer pelas pernas abaixo, coisa que você quase não consegue evitar quando vê a típica mãezinha passar à sua frente com a filhota ao colo, ainda mais aflita que você.

Quando finalmente chega a sua vez, e depois de quase ter atropelado a pessoa que vinha a sair, você já consegue sentir as primeiras gotinhas de xixi, mas é então que começa a ecoar na sua cabeça a frase tantas vezes proferida pela sua mãe:

Nunca, mas mesmo nunca blá blá blá whyskas saketas!

É altura de assumir a posição, e regra geral é aqui que começam os problemas.

Como é habitual a fechadura está estragada, o chão está imundo e nem a porta nem a parede têm um único gancho que sirva para pendurar a sua malinha.

À falta de alternativas e porque parar é morrer você pendura a sua malinha ao pescoço.
Assim de repente já não lhe parece tão boa ideia ter servido de fiel depositária de todo o género de inutidades que veio a coleccionar ao longo dos últimos 5 anos, desde isqueiros sem gás, a esferógráficas sem tinta...

De mala pendurada ao pescoço começa a desabotoar as calças com uma mão, enquanto segura a porta sem fechadura e sem trinco com a outra. As calças são quase sempre justas e um número abaixo do seu, o que dá um jeito tremendo para contrariar a força da gravidade que insiste em puxar o seu rabo para baixo, mas em contrapartida não dá jeito nenhum quando o mesmo rabo tem de sair cá para fora com a ajuda apenas de uma mão. Possas.

Não houve tempo para baixar mais, e é com as calcinhas pelos joelhos, de cóqueras, sempre com a mão na porta e de mala ao pescoço, que você finalmente sente o alívio prometido... Aaaahh!

Mas é também a partir daqui que começam a surgir outro tipo de dificuldades.

As suas coxas entretanto começaram a tremer. Afinal está suspensa no ar há largos minutos, e o elástico do seu fio dental ameaça estrangular a circulação sanguínea nas suas pernas, tudo isto com um braço estendido a fazer força na porta e uma mala que pesa cada vez maaaaais.

Pensa para si própria dava tanto jeito sentar-me só um bocadinho, mas não há papel no rolo bolas!, e é aí que surge mais um problema, não há papel no rolo!

A vontade era tanta que o xixi abundante ainda não parou de sair, mas as suas forças estão perigosamente a chegar ao fim e a posição de aguiazinha começa a ficar seriamente comprometida.

A tremideira nas pernas leva a um pequeno erro de cálculo ,e eis que num ápice o alvo deixa de ser o fundo da sanita e passa a ser as suas pernas. Blheeerk.

Voltamos ao rolo que entretanto acabou, e nesta altura de aflição começa a questionar-se se no interior da sua mala não estará nenhum lenço de papel dum qualquer pacote que tenha comprado em finais de 2005. Para o que é serve perfeitamente.

Ora, procurar um lenço de papel na mala duma mulher com gato é algo que nem o mítico Sport Billy conseguiria fazer com uma só mão, e para isso terá de soltar a porta por breves instantes. O risco é demasiado alto por isso opta por levantar-se encostando o rabo à porta enquanto procura o miserável lenço de papel.

No preciso momento em que se levanta alguém empurra a porta sem fechadura nem trinco do lado de fora, provocando um está genteeee! perfeitamente audível para todas as mulheres com gato que continuam de braços e pernas cruzadas na fila, agora ainda mais aflitas que há minutos atrás.

A única coisa boa nisto é saber que a partir dali mais ninguém vai tentar abrir a porta, porque nestas coisas das aflições as mulheres com gato são bastante solidárias umas com as outras.

Finalmente encontra algo que noutra vida já terá sido um lenço de papel. Vai ter de servir. De tão enrugado que está mal consegue absorver o que saiu por fora, e sem surpresas esfarela-se todo nas suas mãos que estão agora todas molhadas.

As coisas dificilmente podiam correr pior. A mala pesa cada vez mais no pescoço, as pernas ameaçam soçobrar devido ao entorpecimento causado pela posição de aguiazinha e pelo elástico das cuequinhas, e entretanto o seu rabo começou a ficar gelado. Tudo porque aquele tampo imundo pode estar carregadinho de doenças, já para não falar das suas gotinhas que por lá ficaram quando há minutos falhou o alvo.

Exausta e completamente transpirada, puxa as tais calças justinhas que agora amaldiçoa serem o tal número abaixo. Há que puxar o autoclismo, e nem pensar em fazê-lo com os dedos. O cotovelo é uma opção, mas ideal mesmo é fazê-lo com a ponta do sapatinho. Ergh! Pergunta-se a si própria porque é que eu não nasci gajo?!

Finalmente o lavatório! Para variar não há sabonete líquido e a torneira é daquelas de pressão, ou seja, uma autêntica lotaria que pode quase não verter àgua nenhuma, ou pode rebentar como um dique depois duma valente enxurrada.

Não vale a pena arriscar. Estica o rabo para trás e dobra-se toda para a frente na expectativa de não molhar a blusa, tudo isto enquanto evita que a mala resvale do ombro para o chão completamente imundo, e sem certezas de que será só de água. Blheeerk.

Para finalizar o secador não funciona. Já seria de esperar algo do género. Resignada limpa as mãos às suas calças de ganga, antes de ouvir o seu namorado profetizar o habitual porque é que demoraste tanto?!

Olha para ele de soslaio e por breves centésimos de segundo imagina como ficaria a cara dele depois de ser apresentada à sua mala, mas limita-se a rematar com resignação a fila estava enorme.

E é por tudo isto que as mulheres com gato vão aos pares à casa de banho. Por solidariedade.

Uma segura na mala no casaco e na porta, enquanto a outra tenta manter a tal posição de aguiazinha, e pelo meio ainda falam daquela que veio com uma roupa que nunca ninguém usou.

Aborrecido mesmo é ter de explicar tudo isto a um homem com cão, ou pior ainda, tentar explicar o confuso processo de fazer subir e descer o tampo da sanita, algo que permanece ainda um mistério para a maior parte dos homens.

Talvez por isso a maior parte das mulheres com gato opte por não ter ninguém em casa que não seja capaz de fazer subir e descer o dito tampo da sanita, o tal que a sua mãe lhe disse para nunca se sentar em cima, e que a nós homens com cão nos faz tanta confusão colocar para baixo.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Desculpa, foi tudo um equívoco.


Atenção: Qualquer semelhança com a realidade pode ou não ser mera coincidência.

Numa esplanada em Lisboa.

Rita: Olhem! A Marta está a chegar..

Joana: Ai possas o que será que se passou? Esta situação dela com o João... Ohpa os homens são uns cabrões!

Maria: Oh querida o que aconteceu com a Marta acontece com qualquer mulher mais tarde ou mais cedo. A diferença é que aconteceu à Marta, a nossa amiga.

Joana: Está bem, mas o João com uma miuda que ele conheceu no ginásio?

Maria: Deve estar com uma crise de meia-idade, o parvallhão. A seguir vai comprar um descapotável, aposto connvosco.

Rita: Acho que a ordinária tem 26 ou 27 anos.

Joana: Também não é assim tão mais nova que nós.

Maria: Jô, querida, tu vais fazer 37 daqui a 1 mês...

Joana: Pshiuuuu! Isso não é para dizer! E não falta 1 mês, faltam 34 dias!

Rita: E o tipo ainda teve o descaramento de dizer que está arrependido!

Joana: Mas ele terminou tudo com a outra fulana?

Rita: Não sei, acho que sim. Mas disse à Marta que ela não tinha significado nada para ele e queria voltar.

Maria: Mas ele pensa que o casamento é um jogo de Basketball? Aqui não há descontos de tempo!

Rita: O pior é que ela ainda gosta dele.

Joana: Quem! A oferecida do ginásio?

Rita: Não! A Marta!

Maria: Temos que chamá-la à razão amigas.

Rita: Ai! Ela vem aí! E agora o que fazemos?!

Joana: Fala tu com ela Maria.

Maria: Eu?! Porquê eu? Não, quem tem de falar com ela é a Rita!

Rita: Eu não vou dizer nada.

Joana: Mas tu és a madrinha de casamento dela!

Rita: Fui. Ela separou-se, agora já não conta.

Maria: Olhem, o melhor é não dizermos nada. Esperamos que ela puxe o assunto.

Rita: Concordo. Não dizemos nada então!

Joana: Também não há mais nenhum assunto para puxar! Corremos o risco de começar a falar do tempo!
...
Marta: Olá queridas!

Rita, Joana, e Maria: “Olá lindaaa!”

Joana: Senta-te aqui vá..

Maria: Então queridaaa?

Marta: Então...

Rita: Como é que tu estás?

Marta: Estou bem...

(silêncio)

Joana: Ai que horror este tempo, vocês já viram isto? Em pleno Junho?!

Maria: Péssimo!

Rita: Ho-rrível!

Joana: Ainda por cima com estes dois feriados a meio da semana!

Marta: Bom, vocês querem saber como correu a conversa com o João não é?

Rita, Joana e Maria: “Simmmm!”

Marta: Bem, ele acabou tudo com a outra fulana.

Rita, Joana e Maria: “Humm...”

Marta: Colocou-a fora de casa e mudou de ginásio.

Rita, Joana e Maria: “Hummmmm...”

Marta: E pediu-me de joelhos que o aceitasse de volta.

Rita, Joana e Maria: “E tuuu?!”

Marta: Não sei... Eu ainda gosto muito dele. Não sei o que fazer.

Rita: Então e o Tiago?

Marta: O Tiago é uma pessoa muito especial. Deu-me espaço para decidir e disse para não ficar com dúvidas, e tentar ser feliz.

Rita e Joana: “Ai que lindoo!”

Maria: Olha se por acaso voltares para o teu ex-marido dás-me o número do Tiago?

Rita e Joana: “Mariaaa?!!”

Maria: A sério linda, já decidiste o que vais fazer?

Marta: Não quero este “e se” na minha cabeça o resto da vida. Acho que vou perdoar o João.

(silêncio)

Marta: Não posso ficar com a dúvida percebem? Eu ainda o amo! E se ele estiver mesmo arrependido?

Maria: E se ele não estiver?

Rita e Joana: “Mariaaa?!!”

Maria: Pronto. Eu não digo mais nada.

Marta: A Maria tem razão. Olha, que se lixe, pelo menos não fico a pensar se ainda podia dar ou não.

Joana: Então vais mesmo afastar-te do Tiago?

Marta: Já falei com ele.

Joana: E ele?

Marta: Disse que entendia, que queria o melhor para mim, e disse-me para não ter medo de ser feliz.

Rita e Joana: “Ai que lindoo!”

- entretanto Maria começa a percorrer a lista telefónica no telemóvel da Marta

Maria: Tiago.. Tiago..

Joana: Oh querida mas o Tiago é um doce e estava a fazer-te tão bem..

Marta: Pois, eu sei. Mas eu nunca escondi que ainda amava o João.

Joana: Tadinho.. A última namorada acabou com ele aos beijos a dizer que era a pessoa mais especial que tinha conhecido, e agora isto contigo.

(silêncio)

Rita: Mas porque é que os homens fazem sempre isto?

Marta: O João disse que estava confuso..

Maria: É o complexo da vaca velha e da vaca nova. A vadia do ginásio é uma vaca nova.

Rita: Bem, acertaste na parte da vaca.

Maria: Mais tarde ou mais cedo vão todos à procura do sítio onde a erva é mais verde.

Joana: Mas depois voltam!

Maria: Afinal a erva não era assim tão verde. Já esta muito mastigada...

- neste instante o telemóvel da Marta começa a vibrar.

Marta: É o João. Eu disse que dava uma resposta hoje.

Rita: Não atendas já. Deixa-o sofrer.

Maria: Se fosse ao contrário achas que ele te perdoava linda?

Marta: Não sei. Talvez não.

- o telemóvel da Marta continua a vibrar em cima da mesa.

Maria: É isto que eu não suporto nos homens. Não têm a mesma capacidade de perdoar, depois obrigam-nos a mentir!

Rita escandalizada: Tu mentiste ao Gonçalo enquanto estiveste casada?

Maria: Darling.. Wake up..

Rita: A sério Maria?! Ohpa eu não era capaz!

Maria: Querida estão a apitar, acho que deixaste a tua nave espacial estacionada em 2ª fila.

- do outro lado da linha João insistia com a chamada.

Marta: Bem, ele não vai desligar.

Maria: Há uma palavra para isso, chama-se desespero.

Marta: Esperem eu vou atender. Não façam barulho...

- Rita, Joana e Maria chegam-se o mais possível ao telemóvel da Marta.

Marta: Sim? Olá João (...) Não, ainda não pensei no que disseste, tenho andado ocupada.

Joana: (Boaaa!)

Maria e Rita: (Psssht!!)

Marta: A sério João, ainda não pensei na nossa conversa. Tenho outras prioridades agora.

Joana: (Ai que máximoo!)

Rita: (Pergunta-lhe se ele perdoava se fosse ao contrário!)

Marta: Se fosse ao contrário? Tu perdoavas? (...) Humm (...) Ok, logo falamos. Liga-me depois do jantar então (...) Até logo.

Rita: Então o que é que ele disse?

Marta: Ele disse que não sabe. Talvez, mas só passando por isto.

Joana: A Maria tem razão, eles não têm a mesma capacidade de perdoar.

Marta: Eu acho que eles não têm é a mesma capacidade de amar, isso sim.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

A Manela os Hamburgers e a Felicidade



O mês de Junho começou com temperaturas superiores a 30º em quase todo o país. As praias encheram pela primeira vez ao fim-de-semana, e a primeira Segunda-Feira do mês marcou a abertura oficial da nova época balnear.

O verão chegou, e a menos que tenha uma praia só para si algures nas caraíbas, vai mesmo ter de mostrar essa barriguita aos amigos, aos vizinhos, aos amigos dos vizinhos, e a toda a gente que vai dividir consigo as praias de norte a sul do país até meados de Setembro.

Claro que você já sabia disto algum tempo a esta parte, e por isso mesmo tem cumprido à risca aquela dieta que encontrou na Happy ou na Máxima na edição de Abril.

Ergh... Ouuuu não!

Independentemente de ter ou não cumprido à risca o seu plano alimentar, uma coisa é quase certa como o destino, nesta altura do ano 8 em cada 10 mulheres estão oficialmente de dieta, e dessas 8 seis só vão voltar ao supermercado lá para meados de Setembro.

E se não sabe fica a saber. Se está de dieta ou simplesmente deixou de comer então prepare-se para 3 meses e meio de mau-humor, impaciência, hipersensibilidade a homens com cão um pouco parvos, irritabilidade, neura, crises de ansiedade, depressão e – o pior de tudo – muito menos orgasmos, ou simplesmente sexo do pior que há!

Chama-se Food&Mood e é o último grito na Europa no que diz respeito a nutrição.

Como tudo aquilo que é o último grito em qualquer coisa na Europa, também na nutrição as novidades demoram um pouquinho mais a chegar ao nosso quintal à beira-mar plantado, e talvez por isso o conceito não lhe seja ainda de todo familiar.

Há muito que a comunidade científica investiga o impacto da alimentação nas nossas mudanças de humor, mas só recentemente esta ideia ganhou força após um esforço comum entre o MIT – Istituto de Tecnologia de Massachusetts - e a Universidade de Yale nos Estados Unidos, e o Food&Mood Institute na Grã-Bretanha.

A ideia principal assenta num único pressuposto simples: a produção de neurotransmissores no cérebro está directamente relacionada com a nossa alimentação.

Os neurotransmissores são substâncias químicas responsáveis pela comunicação entre as células cerebrais, algo de muito raro e precioso entre as loiras (ok, este foi um golpe muito baixo e não subscrevo, apesar de ter tido a sua piada!).

Existem 3 neurotransmissores associados a este processo: a serotonina, a noradrenalina e a dopamina. Acredito que isto seja chinês para si, mas e se lhe disser que estas substâncias são fundamentais para regularem o seu humor, e fundamentais sobretudo para atingir um orgasmo pleno e intenso?

Pois, é melhor continuar a ler então...

Qualquer uma destas substâncias tem um elemento percursor, ou seja, uma espécie de motor de arranque que estimula a produção destes neurotransmissores no cérebro.

No caso da serotonina o elemento percursor é o triptofano. Não confundir com o Trifene 200.

No caso da dopamina e noradrenalina, o catalisador é um aminoácido chamado tirosina.

Fique desde já a saber que se a sua dieta exclui ervilhas, feijões, carne, peixe, ovos, leite e derivados como o queijo e os iogurtes, então a probabilidade de encontrar triptofano e tirosina no seu cérebro é igual à probabilidade dum muçulmano comer uns belos rojões de porco com açorda durante o ramadão.

E sem triptofano não há serotonina. Ora, os níveis baixos de serotonina estão associados a tristeza, solidão e sintomas depressivos. Não é à toa que a maior parte dos antidepressivos actuam estimulando precisamente a produção de serotonina duma forma artificial.

A falta de tirosina por seu lado leva à não produção de dopamina e noradrenalina, dois neurotransmissores fundamentais que controlam a líbido e os estímulos emocionais.

A cocaína por exemplo mimetiza o funcionamento da dopamina no cérebro, e é por isso que o consumo de cocaína leva a uma vontade incontrolável de fazer amor com “F” grande.

Nota mental #1: em vez de gastar dinheiro em coca mande vir uma bela feijoada carregadinha de xixa, e uma fatia de pudim flan à sobremesa. Fica mais barato e o resultado é praticamente o mesmo.

Se ainda assim preferir a saladinha, depois não venha dizer que não atinge o orgasmo por culpa do seu marido/junto/namorado/amigo colorido/whatever. Baaah!

Mas a Food&Mood não se fica pelos neurotransmissores.

Se já não se lembra do sabor do pão, das massas, da batata e do arroz então você está de parabéns! Conseguiu acabar com o seu stock de carbohidratos!

Uma alimentação rica em carbohidratos provoca um aumento considerável de insulina no organismo. A insulina consegue captar muitos dos aminoácidos que concorrem com o triptofano no cérebro, ou seja, menos aminoácidos concorrentes significa mais espaço para produção de triptofano, mais serotonina e mais antidepressivos naturais.

Além do mais os carbohidratos são o alimento natural do tecido muscular. Se para lá da sua dieta não vou comer nada até ao Outono, costuma ir para o ginásio praticar fitness selvagem, então fique sabendo que o esforço exigido ao seu corpo está a ser pago com juros altíssimos, à custa do seu tecido muscular.

Você não está a queimar matéria gorda mas sim tecido muscular que a vai deixar mais fragilizada, mais fatigada, menos resistente e cada vez mais perto da anorexia. Uma vez mais é na cama que vai pagae a factura mais alta, e nesta altura o orgasmo parece-se cada vez mais com a terra-prometida.

Nota mental #2: peça um esparguete à bolonhesa e limpe o prato com o pão quando não estiver ninguém a ver (eu sobretudo!), e depois para sobremesa ataque o arroz doce como se não houvesse amanhã!

Uma das coisas que eu menos suportava na minha mulher era o mau feitio ao acordar.

Mas não era um mau feitiozinho qualquer. Era... Bom, imaginem uma crise de fúria do Kim Dae-Jung. Era pior...

A Food&Mood tem obviamente uma explicação para isto: chama-se um café e um cigarro ao pequeno-almoço.

O nosso cérebro está constantemente a trabalhar, e por isso consome quantidades astronómicas de glicose (açucares), excepção feita talvez às vocês-sabem-de-quem-eu-estou-a-falaaaar. E esse consumo é constante, mesmo enquanto dormimos.

Quando acordamos sentimos necessidade de repôr os níveis de açucar, daí a necessidade dum bom pequeno-almoço.

O café e o cigarro não deixa de ser uma opção interessante, mas provoca hipoglicémia, uma ameaça séria ao funcionamento cerebral e responsável por crises de ansiedade, irritação e intolerância a qualquer tipo de homens com cão logo pela manhã.

Nota mental #3: salve o seu casamento e em vez do cigarro e do café peça um croissant com doce-de-ovos e beba um leite com chocolate. Dexe o café para depois e fume o cigarro no carro, de preferência com os vidros abertos.

A Food&Mood também não esqueceu as vitaminas.

A B6 está presente nas bananas e no milho e são excelentes para potenciar a acção dos carbohidratos, as tais massas e o pão que por acaso você não está a comer :

A B12 é fundamental para reverter quadros depressivos e pode ser encontrada na carne vermelha e nos mariscos.

A B1 é essencial na síntese de neurotransmisores, além de ajudar na conversão da glicose em energia. Os muçulmanos não devem ter muito disto porque a vitamina B1 é mais frequentemente encontrada na carne de porco e no caju.

Bróculos, tomate e cogumelos garantem ácido fólico ao organismo, uma vitamina vital para a regulação do humor uma vez que interage com a serotonina e a noradrenalina.

Dito isto – e muito mais ficou por dizer -, se ainda não está convencida a abandonar a sua dieta franciscana, lembre-se ao menos de que a maior factura vai ser paga na horizontal (ou na vertical, ou em qualquer posição já agora).

O desejo sexual nos homens com cão e nas mulheres com gato é no fundo como uma micose, está sempre lá mas tem de ser activado.

A dopamina é uma autêntica droga do amor natural, e está associada à euforia e à excitação.
É activada pelo tacto e pela visão e actua directamente na líbido. Quando existe em quantidades consideráveis no cérebro da mulher com gato, o mais pequeno impulso correspondido pode desencadear uma série de acontecimentos que muito provavelmente poderão acabar com um autêntico terramoto, ou como dizem os franceses um petit-morts, o momento em que você apaga quando se está a vir.

É assim bommmm! Aposto que nesta altura está a caminho do supermecado para abastecer-se de leguminosas, carne, peixe, ovos, leite e derivados.

A sabedoria popular sempre foi boa conselheira, e não deve ser à toa que por aí se diz à boca cheia que as mais roliças são as melhores.

Sempre ouvi o meu avô dizer por detrás duma má moita pode sair um bom coelho, e se decididamente quer ser o tal “bom coelho” então acabe com a dieta “happy” e vá comer um Big Mac.

Já agora, e para os homens com cão mais distraídos, e habituados que estão ao funcionamento imediato das hormonas masculinas, nas mulheres com gato esse processo depende dum quadro de estímulos completamente diferente, mais emotivo e envolvente.

Salvaguardando as devidas proporções, você – homem com cão – tem nas suas mãos o Space Shuttle Columbia, rápido, poderoso e explosivo.

Do outro lado está a mulher com gato num elegante, romântico e quase irritante balão de ar quente. A natureza quis assim. Lembre-se, a dopamina e a serotonina nas mulheres com gato chega devagarinho mas quando chega é em quantidades industriais.

A minha sugestão: trate de arrefecer os motores enquanto não começa a ouvir a Manuela Bravo a cantar o sobe sobe balão sobe.
Depois o céu é o limite.