quinta-feira, 24 de setembro de 2009

ps: I Love You

Adoro-te anónimo: Olá.. Sou o Francisco, tenho 38 anos e não consigo dizer “adoro-te”.

Todos: Oláaaa Francisco!

Este podia muito bem ser o início duma qualquer reunião dos Adoro-tes Anónimos, um grupo de pessoas com problemas em dizer adoro-te.

A ideia pode parecer caricata mas não deixa de ter um fundamento de verdade, primeiro porque devem existir por aí muitos Franciscos que não conseguem dizer adoro-te, depois porque há muitos mais homens que Franciscos a sofrer do mesmo bloqueio.

Deve ser uma embirração qualquer com a palavra adoro-te, que curiosamente dizemos sempre com a maior das facilidades quando estamos prestes a passar para a parte física da adoração.
Regra geral adoro-te é das últimas coisas que dizemos antes de começarmos realmente a adorar o corpo da nossa parceira.

Mas o facto de não o dizermos não quer necessariamente dizer que não o sintamos, antes pelo contrário. Na verdade sentimos sim, simplesmente nós homens com cão temos diferentes formas de sentir, diferentes formas de comunicar com os nossos sentimentos, e sobretudo diferentes formas de verbalizar as nossas emoções.

Homem que é homem nunca vai dizer a outro gajo gosto de ti, a menos que tenha em casa o dvd do Brokeback Mountain. Em edição especial para colecionador. Ou seja, algo muito abixanado e suspeito.

Não. Homem que é homem limita-se a dizer sabes que ‘tás aqui broda, enquanto bate com a mão no peito à King Kong. Quanto muito admite-se um ligeiro vacilar na voz, imediatamente justificado por uma certa rouquidão para disfarçar a carga emotiva do momento.

E se entre nós homens com cão esta linguagem faz todo o sentido e é universal, as coisas complicam-se quando do outro lado está uma mulher com gato.

Amiga 1: Então?! Ele disse-te que gosta de ti?!

Amiga 2: Sim, disse..

Amiga 1: Yuuhuuu! Ai contaa contaaa! Como é que ele disse?!

Amiga 2 claramente desiludida: Ele disse, sabes que estás aqui sister... E depois bateu com a mão no peito. Parecia o King Kong.

Ergh.. Pois, isto assim não dá. E não dá porquê? Numa palavra: inteligência emocional.

Ok, são duas palavras, mas têm apenas um significado.

A inteligência emocional representa a capacidade que cada um de nós tem para reconhecer, interpretar e lidar com as emoções. A chave da inteligência emocional é a autoconsciência, ou seja, a capacidade de reconhecer um sentimento quando ele ocorre.

Nos homens essa capacidade está mais direcionada para coisas importantes como ... hummm ... O futebol!

(no estádio)

Adepto: Foda-s#! É penalty! Como é que o árbitro não viu?! Seu filho da put######!

Adepto na cadeira ao lado: Eu compreendo a razão da sua frustração, porém o importante agora não é o penalty, mas sim a autoconsciência e o reconhecimento emocional que vai permitir com que você lide melhor com as suas emoções...

Adepto: O quê?! Ohpa vai-te fod##!

Como é sabido o bem estar emocional depende em grande medida do controlo que nós temos das nossas emoções e sentimentos, e existem sentimentos como a ira que destabilizam emocionalmente as pessoas, especialmente dentro dum estádio de futebol.

Quando isso acontece o individuo tende a procurar de novo o equilíbrio emocional. É aí que entra a polícia de intervenção à bastonada e ficamos de novo calminhos.

Adiante.

A grande diferença entre os homens com cão e as mulheres com gato, é que enquanto nós incosncientemente suprimimos as emoções no nosso dia-a-dia (excepção feita aos jogos de futebol), as mulheres com gato enfrentam-nas frontalmente até encontrarem um equilíbrio, e é nesta diferença que nos desencontramos quando se trata de lidar com sentimentos.

As emoções vivem no plano de fundo da vida de um homem e no primeiro plano da vida de uma mulher
in: The Lazy Husband, Josh Coleman.

E por muito que nós homens quiramos que não seja assim, infelizmente o nosso adn faz-nos lembrar o contrário: é mesmo assim. Por isso é que homens e mulheres estão habitualmente em pólos opostos nas discussões.

Ela sente-se ferida de morte porque ele esqueceu-se do aniversário de casamento, ele por outro lado acha que ela está a exagerar porque estas coisas acontecem, e para o ano compensa.

Não querendo desculpar a aparente indiferença que os homens com cão conseguem ter para com as datas importantes da vida dum casal, a verdade é que o problema já nasceu connosco.

De acordo com o International Center for Health Concerns, o nosso cerebro está dividido em duas partes: o lado esquerdo (responsável pelo pensamento lógico), e o lado direito (responsável pelas emoções). No caso das mulheres com gato a ligação entre o lado lógico e o lado emocional é muito maior, quase como se existisse uma auto-estrada entre o lado esquerdo e o direito que não só facilita a comunicação, como faz com que as mulheres raramente dissociem a lógica da emoção.

Um exemplo: uma mulher com gato vê um par de sapatos lindos de morrer, daqueles que não fazem falta nenhuma mas que TEM MESMO de comprar. Compra. Decisão lógica ou emocional? Lógica porque no caso das mulheres a emoção de ter um par de sapatos irresistiveis faz todo o sentido.

Já no nosso caso as coisas não se processam desta forma. A distância entre o lado lógico e o lado emotivo é maior, isto porque existe uma espécie de estrada secundária entre os lados esquerdo e direito do nosso cérebro, que torna a comunicação entre ambos muito mais demoraaaadaaaa..

Por isso é que um homem com cão perguntaria sempre à mulher com gato do par de sapatos mas tu precisas mesmo desse par de sapatos?

É inevitável. Nós reagimos de formas diferentes às emoções, e no nosso caso concreto temos tendência para esquecê-las mais depressa, precisamente porque o acesso ao nosso lado emotivo é mais complexo.

É por isto também que as mulheres com gato conseguem coisas realmente incríveis, como puxarem para uma discussão em tempo real algo que se passou quando o Marquês de Pombal ainda era vivo.

Ela: .. e tu lembras-te daquela vez em que eu disse que não me apetecia comer sardinhas e tu insististe em irmos ao restaurante de peixe-assado?

Ele: Desculpaaa?!

Um estudo recente publicado no Journal of Personality confirma tudo isto de forma inquestionável. As mulheres com gato têm maior facilidade em lidar com as emoções, enquanto nós homens com cão sentimos maiores constrangimentos na hora de exprimir os nossos sentimentos.

É por isso que a médio e longo prazo o divórcio costuma ser mais devastador para os homens.
Remete-nos para um campo minado de emoções, um território virgem, inexplorado e com o qual aprendemos a lidar com muita dificuldade. Quando aprendemos.

A ideia dos adoro-tes anónimos pode parecer absurda, mas iria certamente abalar as certezas de muitas ex-mulheres com gato convencidas de que o ex-homem com cão simplesmente deixou de se importar, quando provavelmente apenas não se conseguiu explicar.

E como é que tudo isto se resolve? Com post-its. Quando sair de manhã deixe um colado no despertador dela. Ou dele, porque também há muitas mulheres que não sabem dizer..
ps: I Love You.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

O complexo "vaca nova, vaca velha"

Não há fome que não dê em fartura.

É uma verdade insofismável e está amplamente enraizada nos dizeres que a sabedoria popular tratou de perpetuar.

É uma frase feita mas com grande aplicação no nosso quotidiano, senão reparem nos seguintes exemplos que milhões de homens com cão em Portugal partilham diariamente:

O Glorioso andou 15 anos a penar? Ohpa não há fome que não dê em fartura!

2009 d.c. Jesus chega ao comando da equipa, e de repente até parece que regressamos aos anos 80, com o Glorioso a distribuir cabazes de golos aos adversários mais incautos.

O dinheiro não estica até ao final do mês? Não há fome que não dê em fartura! Qualquer dia sai-nos o euromilhões e compramos uma vivenda com uma horta.

Esta dispensa comentários.

Dito desta forma a ideia faustosa da abundância depois da indigência traz sempre um conforto redobrado. Mas as coisas não são bem assim, especialmente se nos encostarmos à ideia de que mais tarde ou mais cedo o repasto vai-nos ser servido em bandejas de prata, e com tudo incluído como se o menu tivesse sido retirado dum pacote promocional duma viagem ao México em tempos de gripe.

Não. As coisas, repito, não são bem assim. E são ainda menos quando falamos de homens com cao à procura de mulheres com gato. Neste caso específico desenganem-se os mais optimistas. Estudos recentes comprovam que com as mulheres, a seguir à fome vem o soro, depois o coma induzido, e finalmente a morte. Passo a explicar.

Um estudo realizado pela Universidade de Oklahoma, nos states, conseguiu explicar entre outras coisas o porquê dos homens sozinhos terem mais possibilidades de continuarem ergh.. sozinhos.

O mesmo estudo conseguiu ainda desbravar terreno virgem no que diz respeito à alegada propensão genética do homem para o adultério, e aindaaa (que saudades do 1, 2, 3) encontrou resposta a uma questão que atormenta a Humanidade desde os tempos das cavernas: porque razão as mulheres com gato não se suportam nem à paulada.

Bom, nesse tempo o gato não era um animal doméstico e a questão provavelmente resolvia-se à paulada mesmo, mas adiante.

Quem viu o filme O Sexo e a Cidade lembra-se perfeitamente da frase que celebrizou Samantha Jones, a personagem de Kim Cattrall: He’s taken? Tell me more!

E quem nos conta mais a este propósito é Melissa Parker, professora de socio-psicologia na Oklahoma State University.

A Dra. Melissa Parker descobriu como lidam afinal as mulheres com a expressão all the good men are taken, e de forma surpreendente - ou não - concluiu que para a maioria das mulheres esta expressão termina com um redundante so what?!

Antes que todas as mulheres deste blog me atiçem os seus gatos, convém dizer que esta conclusão não é minha, e goza de caracter científico. O estudo foi realizado nos Estados Unidos e teve como premissa as constantes trocas entre casais do show-bizz norte-americano. Seria esta realidade um exclusivo de Holywood ou, pelo contrário, seria a face visível dum much bigger problem?

Para o efeito foram entrevistadas 184 pessoas heterossexuais na mesma faixa etária, das quais 94 eram mulheres e os restantes 94 homens, naturalmente.

As 94 mulheres foram então dividias em dois grupos de 47. Ao primeiro grupo foi apresentada a foto dum candidato solteiro, enquanto que ao segundo grupo foi apresentada a foto da mesma pessoa, mas alegadamente comprometido com uma relação séria.

Enquanto que no primeiro grupo apenas 59% das mulheres mostrou interesse no candidato, no segundo grupo – o do homem comprometido – apenas 4 mulheres não mostraram interesse. Ou seja, 90% das mulheres do 2º grupo mostrou-se imediatamente disponível para conhecer essa pessoa, mesmo sabendo que estava comprometida com uma relação séria.

Nas palavras do grande Artur Albarran na mítica série televisiva Imagens Reais, o choque.. O horror.. Estas são imagens reais.

O processo foi repetido nos dois grupos de 47 homens, e aqui não houve surpresas: os homens mostraram interesse, independentemente da candidata ser solteira ou não.

Face a estes resultados as conclusões do grupo de pesquisa foram lapidares. Para a maior parte das mulheres com gato, homens comprometidos são acima de tudo homens com cão capazes de assumir compromissos, em oposição aos homens solteiros que a este nível simplesmente não conseguem oferecer as mesmas garantias. Parece ser este o cerne da questão. E por falar em questão, chegamos à primeira resposta:

Homens sozinhos têm maiores possibilidades de continuarem sozinhos.

E porquê? Porque para a maioria das mulheres não são sequer elegíveis.

Amiga 1: Ohpa sabem aquele tipo das vendas, o João?

Amigas 2 e 3: Sim, sim! O que tem? Conta!

Amiga 1: Todos os dias tenho assim dezenas de mails dele a convidar-me para sair! Acham normal?

Amiga 2: Bemmm.. Mas ele não andava com aquela tipa da contabilidade?

Amiga 3: Não! Esse não anda com ninguém.

Amiga 1: O que ele quer sei eu.

Amiga 3: Olha querida esse só te quer para dar umas voltinhas..

Amiga 2: Ai que raiva pah! Os homens são todos iguais..

Amiga 1: Nem todos. Olha o Francisco..

Amiga 3: Oh! Mas esse está junto..

Amiga 2: Os homens bons estão todos ocupados.

Amiga 1: Desculpa, e depois??

E depois morreram as vacas e ficaram os bois. Isto era o que a minha mãe me dizia no final das histórias que ela me contava à beirinha da cama. Pessoalmente a ideia dum mundo só com bois sempre me causou alguma estranheza.

Mas porque é que ficam os bois?

Mal sabia eu que a resposta a esta pergunta só iria chegar 30 anos mais tarde, ou seja, mais ou menos agora!

Os bois ficam porque entretanto há sempre umas vacas novas a chegar. Um homem com cão comprometido pode ser um alvo mais apetecível para 90% das mulheres com gato, porque está formatado para lidar com o compromisso, mas os que cedem são também muito mais permissivos a uma nova conquista.

É o estigma da vaca nova/vaca velha. Afinal de contas há sempre um pasto mais verde algures por aí, e é isto no fundo que atormenta as mulheres, dia e noite. Encontrarem uma Samantha Jones qualquer num beco escuro à noite.

Compreende-se agora a propensão genética dos homens para o adultério. Não se desculpa mas compreende-se, afinal 90% das mulheres parecem não ter quaisquer reservas perante um homem comprometido, antes pelo contrário.

Este estudo é esclarecedor e veio confirmar as conclusões dum outro estudo realizado em 2004 pela Universidade de Bradley, no Illinois. Na altura os pesquisadores concluiram que 34% de mulheres em 53 paises diferentes procuravam ostensivamente relações com homens casados.

Os números valem o que valem mas uma coisa é certa: as mulheres serão eternas rivais de si próprias provavelmente até à extinção da vida humana no planeta Terra.

A estranha ironia em tudo isto é que as mulheres com gato continuam a precisar umas das outras para validarem as suas escolhas, não só entre rivais mas sobretudo entre amigas.

As escolhas dum homem raramente dependem duma mulher só, mas sim dum escrutínio impiedoso que é feito diariamente pelo grupo de amigas, seja na esplanada dum café qualquer em Portugal, ou no imaginário de Carrie, Samantha, Charlotte e Miranda, numa bar trendy em Manhattan acompanhadas dum Cosmopolitan.

O que muitas mulheres com gato parecem esquecer é que para outras tantas a frase a seguir ao e depois? continua com um assustador e depois vieram as vacas e comeram os bois.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

A tragédia grega

Aposto que desta vez perdeu mais alguns segundos do que é habitual antes de se debruçar sobre o tema propriamente dito.

Admita, esteve debruçada sobre a foto, certo? Acredito que sim, e há razões para isso. Afinal trata-se tão somente do homem mais bonito do mundo.

Este é Sakis Rouvas.

E quem é Sakis Rouvas, pergunta você? Bom, Sakis Rouvas é um cantor grego natural da ilha de Corfu, na Grécia pois claro, e que nos últimos meses tem aparecido nas caixas postais electrónicas um pouco por todo o lado, não só aqui no meu prédio mas aparentemente na minha rua, e ao que parece no mundo inteiro.

Alegadamente Sakis Rouvas terá sido eleito o homem mais bonito do mundo. Dizem que venceu um concurso, mas ninguém sabe explicar muito bem que concurso foi esse, quem votou, e quem foi a votos com o grego.

Até há poucos meses atrás Sakis Rouvas era conhecido simplesmente como o Ricky Martin da Grécia. Ou seja, só era conhecido na Grécia.

Rouvas granjeou este rótulo à custa de muito jogo de cintura, e de videoclips que levam as suas fãns à loucura. Mas as semelhanças com Ricky Martin não se ficam por aqui. Ao que parece Rouvas também gosta imenso de brincar aos ferryboats, aquele barco que é conhecido por atracar dos dois lados.

Verdade ou mentira ninguém sabe ao certo. Aquilo que se sabe é que o mail circula na web. Eu já o recebi, e como eu milhões de pessoas no mundo inteiro. Apresenta Sakis Rouvas como o homem mais bonito do mundo, depois duma eleição fantasma que ninguém parece conseguir comprovar em lado algum, e que provavelmente terá tido apenas uma pessoa a votar: a mãe de Sakis Rouvas.

Aposto que neste preciso momento a Carolina Patrocínio está a dizer para si própria como é que eu não pensei nisto antes?! Bom, talvez porque é preciso pensar e isso como é sabido não está ao alcance de todos, a julgar pelos disparates que a bimbolette da SIC diz a cada vez que abre a boca.

Esquema ou não a verdade é que a popularidade do cantor grego disparou desde Novembro do ano passado – altura em que começou a espalhar-se o rumor -, e alguns meses depois Rouvas foi escolhido para representar a Grécia no festival da Eurovisão da canção em Moscovo, onde já não esteve o mítico Eládio Clímaco, esse mesmo que na última edição apresentada por si disse para o ano vamos estar em Reykjavic, na Finlândia! Sim, essa Reykjavic, a capital da Islândia.

Mas voltemos a Sakis Rouvas.

Independentemente de ser verdade ou não uma coisa é certa: este é o tipo de homem com cão que preenche o imaginário de todas as mulheres com gato. Ou quase todas porque nisto das mulheres há sempre alguém que é do contra.

Dito de outra forma, este gajo é o tipo de gajo com o qual as mulheres (e alguns homens como o Ricky Martin por exemplo) fantasiam a vida toda. O homem com quem fugiriam para uma ilha deserta se pudessem escolher, aquele que esconderiam das melhores amigas se fosse preciso, e que levariam para o altar se fosse possível.

Sim, já há quem discorde neste preciso momento:

Mas que disparate! Alguma vez trocava o meu marido por este fulanito?!

Por acaso trocavam sim! Passo a explicar. No último mês as leitoras mais atentas repararam certamente na sondagem postada no rodapé do Blog:

Se por magia pudesse desaparecer durante um fim-de-semana sem que ninguém reparasse, quem levaria consigo para uma ilha deserta no pacífico?

26% das mulheres com gato inquiridas levariam uma paixão nova, avassaladora e completamente inconsequente para um fim-de-semana romântico numa ilha deserta.

66% - pasme-se! – confessaram que a escolha seria sem dúvida aquela pessoa em quem de vez em quando penso “como seria”.

Surpreendentemente (ou talvez não) apenas 8% das mulheres com gato responderam o meu marido/namorado/junto.

Ou seja, dois terços (!) das mulheres com gato que responderam a este questionário escolheriam o Sakis Rouvas das suas vidas para se entregarem à luxúria numa ilha perdida no meio do Pacífico. Dois terços. É uma maioria parlamentar muito respeitável.

Sakis Rouvas é afinal muito mais que a versão xué do Ricky Martin. Sakis Rouvas pode até nem ser o homem mais bonito do mundo (não é seguramente o mais feio), mas representa no fundo tudo aquilo que as mulheres mais desejam, e que bem vistas as coisas não podem ter: a ideia do Deus grego. O homem perfeito.

Sou naturalmente avesso a generalizações, mas esta é uma tragédia grega a que eu próprio já assisti vezes sem conta na 1ª pessoa. Sei por isso do que estou a falar.

Acontece muitas vezes. Elogiam o carácter e o sentido de humor, valorizam o conteúdo e a sinceridade, acham-nos queridos e super simpáticos, mas tudo isso só dá para sermos a pessoa muito especial. Não chega.

Amiga 1: Então querida? Como estão as coisas contigo e com aquele teu amigo, o Francisco?

Amiga 2: O Francisco é um queridoooo. Super simpático, atencioso, faz-me rir.. É uma pessoa muito especial..

Amiga 1: Muito especial. Ou seja, não vais sair com ele.

Amiga 2: Não! (risos) Estou a sair com o Ricardo, yuhuuu!

Amiga 1: Não me falaste dele!

Amiga 2: Tenho aqui uma foto dele na praia no meu telemóvel, espera...

Amiga 1: Uaaauuuu! Bem amiga, ele é podre de bommm!

Amiga 2: Pois é!

Poooois é. E é mais ainda quando se trata de mulheres realmente muito bonitas.

Este é apenas um exemplo mas serve na perfeição para ilustrar a tragédia grega a que repetidamente as mulheres se entregam: uma amiga minha de quem não interessa agora saber o nome, queixa-se desde sempre que tem azar com os homens. Ouço-a dizer vezes sem conta que nós somos todos iguais, e que os homens são todos a mesma porcaria, e que só a querem para a cama.

Os homens não são todos a mesma porcaria. Ela é que escolhe sempre a mesma porcaria de homens. Essa é a grande diferença. E isto acontece com quase todas as mulheres: regra geral escolhem sempre o mais giro. Regra geral o mais giro é sempre o pior. E regra geral acreditam sempre que com elas vai ser diferente.

E podia continuar a citar (muitos mais) exemplos, mas este é já suficientemente ilustrativo.

Se dúvidas existirem basta clicar num qualquer site social como o Netlog, por exemplo. Homens mais bonitos do mundo como o Sakis Rouvas há-os às centenas. De tronco nu, cheios de abdominais e com um sorriso pepsodent. Basta escolher um ao acaso, clicar numa foto, e em poucos segundos encontramos dezenas de comentários de mulheres que nos fazem esquecer rapidamente a importância do interior numa pessoa.

Como disse antes sou naturalmente avesso a generalizações. Há excepções concerteza, mas eu conheço muito poucas.

E desafio quem se atrever a dizer o contrário. Conheço uma mão cheia de tipos que podiam à confiança enviar mails dizendo que foram eleitos os homens mais feios de Portugal. Poucas pessoas iriam duvidar. São no entanto das melhores pessoas que eu conheço, mas comentários nas fotos em perfis sociais nem vê-los.

Sakis Rouvas. O Ricky Martin da Grécia. Nasceu numa pequena ilha no mediterrâneo chamada Corfu.
Diz por aí que foi eleito o homem mais bonito do mundo.
Pergunto-me se alguma vez ouviu isto em grego:


Είστε πολύ πρόσθετο πρόσωπο, αλλά όχι.(*)

Pois, se calhar não ouviu.

(*) és uma pessoa muito especial, mas não dá.