terça-feira, 9 de junho de 2009
Desculpa, foi tudo um equívoco.
Atenção: Qualquer semelhança com a realidade pode ou não ser mera coincidência.
Numa esplanada em Lisboa.
Rita: Olhem! A Marta está a chegar..
Joana: Ai possas o que será que se passou? Esta situação dela com o João... Ohpa os homens são uns cabrões!
Maria: Oh querida o que aconteceu com a Marta acontece com qualquer mulher mais tarde ou mais cedo. A diferença é que aconteceu à Marta, a nossa amiga.
Joana: Está bem, mas o João com uma miuda que ele conheceu no ginásio?
Maria: Deve estar com uma crise de meia-idade, o parvallhão. A seguir vai comprar um descapotável, aposto connvosco.
Rita: Acho que a ordinária tem 26 ou 27 anos.
Joana: Também não é assim tão mais nova que nós.
Maria: Jô, querida, tu vais fazer 37 daqui a 1 mês...
Joana: Pshiuuuu! Isso não é para dizer! E não falta 1 mês, faltam 34 dias!
Rita: E o tipo ainda teve o descaramento de dizer que está arrependido!
Joana: Mas ele terminou tudo com a outra fulana?
Rita: Não sei, acho que sim. Mas disse à Marta que ela não tinha significado nada para ele e queria voltar.
Maria: Mas ele pensa que o casamento é um jogo de Basketball? Aqui não há descontos de tempo!
Rita: O pior é que ela ainda gosta dele.
Joana: Quem! A oferecida do ginásio?
Rita: Não! A Marta!
Maria: Temos que chamá-la à razão amigas.
Rita: Ai! Ela vem aí! E agora o que fazemos?!
Joana: Fala tu com ela Maria.
Maria: Eu?! Porquê eu? Não, quem tem de falar com ela é a Rita!
Rita: Eu não vou dizer nada.
Joana: Mas tu és a madrinha de casamento dela!
Rita: Fui. Ela separou-se, agora já não conta.
Maria: Olhem, o melhor é não dizermos nada. Esperamos que ela puxe o assunto.
Rita: Concordo. Não dizemos nada então!
Joana: Também não há mais nenhum assunto para puxar! Corremos o risco de começar a falar do tempo!
...
Marta: Olá queridas!
Rita, Joana, e Maria: “Olá lindaaa!”
Joana: Senta-te aqui vá..
Maria: Então queridaaa?
Marta: Então...
Rita: Como é que tu estás?
Marta: Estou bem...
(silêncio)
Joana: Ai que horror este tempo, vocês já viram isto? Em pleno Junho?!
Maria: Péssimo!
Rita: Ho-rrível!
Joana: Ainda por cima com estes dois feriados a meio da semana!
Marta: Bom, vocês querem saber como correu a conversa com o João não é?
Rita, Joana e Maria: “Simmmm!”
Marta: Bem, ele acabou tudo com a outra fulana.
Rita, Joana e Maria: “Humm...”
Marta: Colocou-a fora de casa e mudou de ginásio.
Rita, Joana e Maria: “Hummmmm...”
Marta: E pediu-me de joelhos que o aceitasse de volta.
Rita, Joana e Maria: “E tuuu?!”
Marta: Não sei... Eu ainda gosto muito dele. Não sei o que fazer.
Rita: Então e o Tiago?
Marta: O Tiago é uma pessoa muito especial. Deu-me espaço para decidir e disse para não ficar com dúvidas, e tentar ser feliz.
Rita e Joana: “Ai que lindoo!”
Maria: Olha se por acaso voltares para o teu ex-marido dás-me o número do Tiago?
Rita e Joana: “Mariaaa?!!”
Maria: A sério linda, já decidiste o que vais fazer?
Marta: Não quero este “e se” na minha cabeça o resto da vida. Acho que vou perdoar o João.
(silêncio)
Marta: Não posso ficar com a dúvida percebem? Eu ainda o amo! E se ele estiver mesmo arrependido?
Maria: E se ele não estiver?
Rita e Joana: “Mariaaa?!!”
Maria: Pronto. Eu não digo mais nada.
Marta: A Maria tem razão. Olha, que se lixe, pelo menos não fico a pensar se ainda podia dar ou não.
Joana: Então vais mesmo afastar-te do Tiago?
Marta: Já falei com ele.
Joana: E ele?
Marta: Disse que entendia, que queria o melhor para mim, e disse-me para não ter medo de ser feliz.
Rita e Joana: “Ai que lindoo!”
- entretanto Maria começa a percorrer a lista telefónica no telemóvel da Marta
Maria: Tiago.. Tiago..
Joana: Oh querida mas o Tiago é um doce e estava a fazer-te tão bem..
Marta: Pois, eu sei. Mas eu nunca escondi que ainda amava o João.
Joana: Tadinho.. A última namorada acabou com ele aos beijos a dizer que era a pessoa mais especial que tinha conhecido, e agora isto contigo.
(silêncio)
Rita: Mas porque é que os homens fazem sempre isto?
Marta: O João disse que estava confuso..
Maria: É o complexo da vaca velha e da vaca nova. A vadia do ginásio é uma vaca nova.
Rita: Bem, acertaste na parte da vaca.
Maria: Mais tarde ou mais cedo vão todos à procura do sítio onde a erva é mais verde.
Joana: Mas depois voltam!
Maria: Afinal a erva não era assim tão verde. Já esta muito mastigada...
- neste instante o telemóvel da Marta começa a vibrar.
Marta: É o João. Eu disse que dava uma resposta hoje.
Rita: Não atendas já. Deixa-o sofrer.
Maria: Se fosse ao contrário achas que ele te perdoava linda?
Marta: Não sei. Talvez não.
- o telemóvel da Marta continua a vibrar em cima da mesa.
Maria: É isto que eu não suporto nos homens. Não têm a mesma capacidade de perdoar, depois obrigam-nos a mentir!
Rita escandalizada: Tu mentiste ao Gonçalo enquanto estiveste casada?
Maria: Darling.. Wake up..
Rita: A sério Maria?! Ohpa eu não era capaz!
Maria: Querida estão a apitar, acho que deixaste a tua nave espacial estacionada em 2ª fila.
- do outro lado da linha João insistia com a chamada.
Marta: Bem, ele não vai desligar.
Maria: Há uma palavra para isso, chama-se desespero.
Marta: Esperem eu vou atender. Não façam barulho...
- Rita, Joana e Maria chegam-se o mais possível ao telemóvel da Marta.
Marta: Sim? Olá João (...) Não, ainda não pensei no que disseste, tenho andado ocupada.
Joana: (Boaaa!)
Maria e Rita: (Psssht!!)
Marta: A sério João, ainda não pensei na nossa conversa. Tenho outras prioridades agora.
Joana: (Ai que máximoo!)
Rita: (Pergunta-lhe se ele perdoava se fosse ao contrário!)
Marta: Se fosse ao contrário? Tu perdoavas? (...) Humm (...) Ok, logo falamos. Liga-me depois do jantar então (...) Até logo.
Rita: Então o que é que ele disse?
Marta: Ele disse que não sabe. Talvez, mas só passando por isto.
Joana: A Maria tem razão, eles não têm a mesma capacidade de perdoar.
Marta: Eu acho que eles não têm é a mesma capacidade de amar, isso sim.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
A Manela os Hamburgers e a Felicidade
O verão chegou, e a menos que tenha uma praia só para si algures nas caraíbas, vai mesmo ter de mostrar essa barriguita aos amigos, aos vizinhos, aos amigos dos vizinhos, e a toda a gente que vai dividir consigo as praias de norte a sul do país até meados de Setembro.
Claro que você já sabia disto algum tempo a esta parte, e por isso mesmo tem cumprido à risca aquela dieta que encontrou na Happy ou na Máxima na edição de Abril.
Ergh... Ouuuu não!
Independentemente de ter ou não cumprido à risca o seu plano alimentar, uma coisa é quase certa como o destino, nesta altura do ano 8 em cada 10 mulheres estão oficialmente de dieta, e dessas 8 seis só vão voltar ao supermercado lá para meados de Setembro.
E se não sabe fica a saber. Se está de dieta ou simplesmente deixou de comer então prepare-se para 3 meses e meio de mau-humor, impaciência, hipersensibilidade a homens com cão um pouco parvos, irritabilidade, neura, crises de ansiedade, depressão e – o pior de tudo – muito menos orgasmos, ou simplesmente sexo do pior que há!
Chama-se Food&Mood e é o último grito na Europa no que diz respeito a nutrição.
Como tudo aquilo que é o último grito em qualquer coisa na Europa, também na nutrição as novidades demoram um pouquinho mais a chegar ao nosso quintal à beira-mar plantado, e talvez por isso o conceito não lhe seja ainda de todo familiar.
Há muito que a comunidade científica investiga o impacto da alimentação nas nossas mudanças de humor, mas só recentemente esta ideia ganhou força após um esforço comum entre o MIT – Istituto de Tecnologia de Massachusetts - e a Universidade de Yale nos Estados Unidos, e o Food&Mood Institute na Grã-Bretanha.
A ideia principal assenta num único pressuposto simples: a produção de neurotransmissores no cérebro está directamente relacionada com a nossa alimentação.
Os neurotransmissores são substâncias químicas responsáveis pela comunicação entre as células cerebrais, algo de muito raro e precioso entre as loiras (ok, este foi um golpe muito baixo e não subscrevo, apesar de ter tido a sua piada!).
Existem 3 neurotransmissores associados a este processo: a serotonina, a noradrenalina e a dopamina. Acredito que isto seja chinês para si, mas e se lhe disser que estas substâncias são fundamentais para regularem o seu humor, e fundamentais sobretudo para atingir um orgasmo pleno e intenso?
Pois, é melhor continuar a ler então...
Qualquer uma destas substâncias tem um elemento percursor, ou seja, uma espécie de motor de arranque que estimula a produção destes neurotransmissores no cérebro.
No caso da serotonina o elemento percursor é o triptofano. Não confundir com o Trifene 200.
No caso da dopamina e noradrenalina, o catalisador é um aminoácido chamado tirosina.
Fique desde já a saber que se a sua dieta exclui ervilhas, feijões, carne, peixe, ovos, leite e derivados como o queijo e os iogurtes, então a probabilidade de encontrar triptofano e tirosina no seu cérebro é igual à probabilidade dum muçulmano comer uns belos rojões de porco com açorda durante o ramadão.
E sem triptofano não há serotonina. Ora, os níveis baixos de serotonina estão associados a tristeza, solidão e sintomas depressivos. Não é à toa que a maior parte dos antidepressivos actuam estimulando precisamente a produção de serotonina duma forma artificial.
A falta de tirosina por seu lado leva à não produção de dopamina e noradrenalina, dois neurotransmissores fundamentais que controlam a líbido e os estímulos emocionais.
A cocaína por exemplo mimetiza o funcionamento da dopamina no cérebro, e é por isso que o consumo de cocaína leva a uma vontade incontrolável de fazer amor com “F” grande.
Nota mental #1: em vez de gastar dinheiro em coca mande vir uma bela feijoada carregadinha de xixa, e uma fatia de pudim flan à sobremesa. Fica mais barato e o resultado é praticamente o mesmo.
Se ainda assim preferir a saladinha, depois não venha dizer que não atinge o orgasmo por culpa do seu marido/junto/namorado/amigo colorido/whatever. Baaah!
Mas a Food&Mood não se fica pelos neurotransmissores.
Se já não se lembra do sabor do pão, das massas, da batata e do arroz então você está de parabéns! Conseguiu acabar com o seu stock de carbohidratos!
Uma alimentação rica em carbohidratos provoca um aumento considerável de insulina no organismo. A insulina consegue captar muitos dos aminoácidos que concorrem com o triptofano no cérebro, ou seja, menos aminoácidos concorrentes significa mais espaço para produção de triptofano, mais serotonina e mais antidepressivos naturais.
Além do mais os carbohidratos são o alimento natural do tecido muscular. Se para lá da sua dieta não vou comer nada até ao Outono, costuma ir para o ginásio praticar fitness selvagem, então fique sabendo que o esforço exigido ao seu corpo está a ser pago com juros altíssimos, à custa do seu tecido muscular.
Você não está a queimar matéria gorda mas sim tecido muscular que a vai deixar mais fragilizada, mais fatigada, menos resistente e cada vez mais perto da anorexia. Uma vez mais é na cama que vai pagae a factura mais alta, e nesta altura o orgasmo parece-se cada vez mais com a terra-prometida.
Nota mental #2: peça um esparguete à bolonhesa e limpe o prato com o pão quando não estiver ninguém a ver (eu sobretudo!), e depois para sobremesa ataque o arroz doce como se não houvesse amanhã!
Uma das coisas que eu menos suportava na minha mulher era o mau feitio ao acordar.
Mas não era um mau feitiozinho qualquer. Era... Bom, imaginem uma crise de fúria do Kim Dae-Jung. Era pior...
A Food&Mood tem obviamente uma explicação para isto: chama-se um café e um cigarro ao pequeno-almoço.
O nosso cérebro está constantemente a trabalhar, e por isso consome quantidades astronómicas de glicose (açucares), excepção feita talvez às vocês-sabem-de-quem-eu-estou-a-falaaaar. E esse consumo é constante, mesmo enquanto dormimos.
Quando acordamos sentimos necessidade de repôr os níveis de açucar, daí a necessidade dum bom pequeno-almoço.
O café e o cigarro não deixa de ser uma opção interessante, mas provoca hipoglicémia, uma ameaça séria ao funcionamento cerebral e responsável por crises de ansiedade, irritação e intolerância a qualquer tipo de homens com cão logo pela manhã.
Nota mental #3: salve o seu casamento e em vez do cigarro e do café peça um croissant com doce-de-ovos e beba um leite com chocolate. Dexe o café para depois e fume o cigarro no carro, de preferência com os vidros abertos.
A Food&Mood também não esqueceu as vitaminas.
A B6 está presente nas bananas e no milho e são excelentes para potenciar a acção dos carbohidratos, as tais massas e o pão que por acaso você não está a comer :
A B12 é fundamental para reverter quadros depressivos e pode ser encontrada na carne vermelha e nos mariscos.
A B1 é essencial na síntese de neurotransmisores, além de ajudar na conversão da glicose em energia. Os muçulmanos não devem ter muito disto porque a vitamina B1 é mais frequentemente encontrada na carne de porco e no caju.
Bróculos, tomate e cogumelos garantem ácido fólico ao organismo, uma vitamina vital para a regulação do humor uma vez que interage com a serotonina e a noradrenalina.
Dito isto – e muito mais ficou por dizer -, se ainda não está convencida a abandonar a sua dieta franciscana, lembre-se ao menos de que a maior factura vai ser paga na horizontal (ou na vertical, ou em qualquer posição já agora).
O desejo sexual nos homens com cão e nas mulheres com gato é no fundo como uma micose, está sempre lá mas tem de ser activado.
A dopamina é uma autêntica droga do amor natural, e está associada à euforia e à excitação.
É activada pelo tacto e pela visão e actua directamente na líbido. Quando existe em quantidades consideráveis no cérebro da mulher com gato, o mais pequeno impulso correspondido pode desencadear uma série de acontecimentos que muito provavelmente poderão acabar com um autêntico terramoto, ou como dizem os franceses um petit-morts, o momento em que você apaga quando se está a vir.
É assim bommmm! Aposto que nesta altura está a caminho do supermecado para abastecer-se de leguminosas, carne, peixe, ovos, leite e derivados.
A sabedoria popular sempre foi boa conselheira, e não deve ser à toa que por aí se diz à boca cheia que as mais roliças são as melhores.
Sempre ouvi o meu avô dizer por detrás duma má moita pode sair um bom coelho, e se decididamente quer ser o tal “bom coelho” então acabe com a dieta “happy” e vá comer um Big Mac.
Já agora, e para os homens com cão mais distraídos, e habituados que estão ao funcionamento imediato das hormonas masculinas, nas mulheres com gato esse processo depende dum quadro de estímulos completamente diferente, mais emotivo e envolvente.
Salvaguardando as devidas proporções, você – homem com cão – tem nas suas mãos o Space Shuttle Columbia, rápido, poderoso e explosivo.
Do outro lado está a mulher com gato num elegante, romântico e quase irritante balão de ar quente. A natureza quis assim. Lembre-se, a dopamina e a serotonina nas mulheres com gato chega devagarinho mas quando chega é em quantidades industriais.
A minha sugestão: trate de arrefecer os motores enquanto não começa a ouvir a Manuela Bravo a cantar o sobe sobe balão sobe.
sábado, 30 de maio de 2009
E o burro sou eu??
Aviso: Este post contém linguagem susceptível de chocar pessoas mais sensíveis.
...
Como eu sei que agora é que ninguém vai deixar de ler, considerem-se avisados.
Li recentemente uma notícia que dava conta duma proposta dum grupo tecnológico russo para aquisição de acções do Facebook.
De acordo com o Wall Street Journal, a Digital Sky Technologies ofereceu 142 milhões de euros para aquisição de acções ordinárias do Facebook, actualmente a rede social com mais pessoas inscritas no mundo, e avaliada em 4,64 mil milhões de euros.
Em Portugal, e de acordo com a Marktest, as redes sociais continuam a recolher a preferência dos internautas.
A mesma fonte cita que mais de 84% dos utilizadores de internet em Portugal acederam às redes sociais em 2008, com o Hi5 a manter-se no topo das preferências obtendo quase 87% do total de navegação em páginas desta natureza.
Ainda de acordo com a Marktest, em 2008 foram lidas 7 mil milhões de páginas de redes sociais, ou seja, cerca de 2741 por cada utilizador.
Por outras palavras, ao longo do ano passado cada internauta português consultou em média 7 páginas e meia por dia.
Aplicando esse valor médio à percentagem de visitas nas redes sociais (84%) facilmente chegamos a um valor conclusivo: perto de 6 visitas por dia - 6,3 para ser mais preciso.
Aplicando agora o mesmo valor ao universo dos Homens com Cão, o mesmo é dizer que cada um de nós visitou em média 6 perfis de Mulheres com Gato por dia ao longo de 2008. Dá o bonito valor de 2190 mulheres com gato no final do ano. São muitas miadelas.
Pergunta: então como é que se diferencia UMA mulher com gato no meio de 2190?
Ergh... Claro que esta era uma pergunta de retórica.
Partindo do princípio – válido, a meu ver - de que a comunicação visual é o primeiro ponto de contacto existente entre internautas nas diferentes redes sociais, rapidamente chegamos a um quorum: se eu não gostar do que tu escreves tu não vais continuar a fazê-lo durante muito mais tempooooo!
À partida isto funciona assim, excepção feita aos tipos que escrevem textos enormes para miudas com peitos 38 C ou maiores, e quando recebem um oix lol na volta do correio acham que houve ali uma químicaaa...
Pois houve. A tal química afinal chama-se implantes mamários e custa uns 5000€ já com IVA. Pooooois é...
Excepção feita aos idiotas que acreditam neste tipo de química – não vou agora ceder à tentação do rumor fácil e do boato irresponsável, dizendo que muito provavelmente a maior parte dos homens com cão acredita na ligação química a um belo par de mamas -, mas excepção feita a TODOS esses idiotas, a separação do trigo e do jóio tem de começar por aquilo que se lê.
E é aqui que começam a cair as tais 2190 mulheres com gato para números francamente mais modestos, e o mesmo deve acontecer com as mulheres em relação a nós, homens com cão.
Presumo que sim, mas admito que possa estar enganado.
Chamem-me complicadinho, esquizitóide, digam que tenho pancada eu sei lá, mas não pode haver química possível com pessoas que entendem que a escolaridade mínima obrigatória resume-se a aprender a escrever o nome sem dar erros!
Na internet a iletracia está à distância dum clik, e – pior do que isso – está cada vez mais globalizada através das redes sociais. Diria mesmo que estamos perante uma pandemia de estupidez de proporções bíblicas. Ao pé desta praga as gripes das aves e dos porcos podem ser comparadas a uma pequena crise de renite alergica.
Há uma nova Ordem Estupidológica, com uma linguagem própria e com nativos que comunicam alegramente entre si, e com entusiasmo redobrado sempre que encontram do outro lado alguém igualmente estúpido.
Estabelecer um diálogo com estas pessoas não é tarefa fácil. Requer alguma destreza verbal e um regulador de acidez para combater a azia.
A pensar nisso mesmo, aqui ficam então alguns conceitos dominantes na nova Ordem Estupidológica, bastante úteis caso queiram estabelecer um diálogo monosilábico com um qualquer idiólatra da Comunidade, ou apenas fazerem-se passar por imbecis durante algumas horas.
É assim...
Sem dúvida alguma o expoente máximo da retórica estupidológica.
Este é um termo que não acrescenta coisa alguma, e normalmente quem o usa também não tem nada a dizer. Ao invés tentam camufular a falta de ideias com uma afirmação convicta, típica de quem não faz ideia do que vai dizer a seguir.
Expressão habitualmente reservada aos grandes chefes da comunidade, pessoas que habitualmente usam um chapéu de chefe e que gostam de se fazer passar por inteligentes.
Tipo...
Outra expressão reservada aos iluminados. Há inclusivamente quem articule o tipo com o é assim, o que resulta em autênticas pérolas estupidológicas: tipo, é assim...
É o elogio da ignorâcia no seu estado mais puro.
Destrocar ou Destroca-me aí
Os nativos desta Comunidade conseguem coisas realmente fantásticas, como trocar várias vezes a mesma nota até ficarem exactamente com aquela que tinham no início.
Deslarga-me
Da família do destroca-me.
Des e larga-me consiste no acto de largar 10 vezes.
É dois ou é dez
Há múltiplas variantes, mas seja qual for a forma final é difícil a um nativo que use esta expressão passar despercebido num qualquer balcão, a não ser que esteja num clube em que exijam cartão de consumo à porta, e o porteiro também diga é 10 euros. É natural que venha a encontrar mais ignorantes como ele lá dentro.
Númaro
Inacreditável o númaro de pessoas que verbalizam esta anormalidade.
É uma expressão tão curriqueira no seio da Comunidade Estupidológica, que nem os próprios conseguem mensurar a dimensão da sua inépcia no que toca à língua portuguesa falada.
O númaro de mentecaptos que insiste neste disparate não pára de aumentar e, provavelmente, esta será outra palavra que mais tarde ou mais cedo irá cair sob a alçada dum qualquer acordo ortográfico. Em vez de combatermos a iletracia legalizamos a estupidez.
A turba aplaude enebriada pela própria vulgaridade.
Samos
Nós samos muitos! Samos uns 4 ou 5! Samos às dezenas! De facto são cada vez maiores as anormalidades que vou encontrando um pouco por todo o lado.
Só posso imaginar como é que surgiu este samos. No alfabeto o “a” nem sequer fica junto ao “o”, mas como dizia o poeta, nós samos aquilo que samos.
Êros
Moeda alternativa ao “euro” dentro da Comunidade.
Quando confrontados com a palavra “euro” os nativos reagem com alguma suspeição. Desconhecem a origem da palavra mas dão-lhe pouca importância, afinal o êro vale o mesmo que o “euro” e as notas até são parecidas.
Falastes, dissestes ou pagastes
Variação da 4ª pessoa do singular.
É das tais coisas que quando pensamos já ter ouvido todas as anormalidades possíveis, rapidamente chegamos à conclusão de que afinal não ouvimos.
Os nativos da Comunidade gostam de utilizar algumas variações bastante peculiares. É habitual trocarem o dissestes por disseste-le ou disseste-le-lhes.
Esta última palavra não é para todos, e deve ser articulada de forma rápida e com convicção!
Prontos
Termo fofinho maioritariamente utilizado pelas nativas da Comunidade.
Surge habitualmente a rematar uma frase que começou por é assim, e é acompanhado ou com um levantar de um dos ombros, ou com o inclinar da cabeça para um dos ombros, o que realça ainda mais o carácter fofinho do prontos.
Quaise
Outra expressão que recolhe grande simpatia por parte da turba.
Os mais experientes gostam de abrir bem as duas vogais, prolongando o “ai” do “quaise” e prolongando inevitavelmente a sua própria ignorância no espaço e no tempo.
Treuze
Da família do quaise. Pouco há a dizer em relação a esta palavra.
A sua génese permanece uma incógnita. Ninguém sabe bem quando surgiu no léxico estupidológico. Sabem apenas que o treuze vem a seguir ao douze.
Cambra
Esta palavra apresentada isoladamente perde muito do seu charme.
Os nativos gostam de articular cambra com municipal, e aí sim chegamos à conclusão que afinal trata-se da câmara municipal, mas com uma pronunciação fonética muito mais harmoniosa.
Depois há Todx ox/ax idiotax k eskrvm axim e k axam k xao mtt girox!
É a eloquência gritante duma comunidade virtual que prima pela estupidez.
Depois chamam-me complicadinho.
O Scolari é que tinha razão quando disse “e o burro sou eu”?
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Corega Sem Sabor
Quem leu a última entrada do Blog certamente deve ter reparado na frase de fecho do post: Tenho de arranjar uma namorada.
Já agora, aproveito a oportunidade para agradecer publicamente às duas pessoas que se mostraram disponíveis a abraçar esta causa, o que só me faz pensar que ainda existem neste mundo seres humanos com espírito de sacríficio, e capazes de ajudar os outros.
Mas, efectivamente, a ideia de poder vir a terminar os meus dias a arrastar-me em salões de baile fez-me colocar as coisas em perspectiva.
Não que tenha algo contra os salões de baile, simplesmente não quero abordar uma “babe” de 60 anos e perguntar-lhe, A menina não leve a mal, mas tem um sorriso tão bonito.. Posso perguntar-lhe qual é a marca da sua pasta fixadora?
Ehpaa, não estou ainda preparado para isto, portanto resolvi ser proactivo em relação a esta coisa da namorada.
Está explicada a minha ausência do Blog nos últimos 20 dias.
Houve que meter a mão na massa como dizem os padeiros, e pelo caminho lá ia mudando de canal sempre que aparecia o tal anúncio da pasta fixadora Corega Sem Sabor 40 G. Blheerk...
20 dias volvidos regresso ao Blog e sem novidades. Está tudo como dantes, à exccepção dum pequeno pormenor: estou 20 dias mais perto das matinés da Sela e da Cleóptra, essas reputadas casas de bailarico. E reputadas não foi um trocadilho.
O mistério adensa-se... O que se passa afinal?!
Olhando para trás rapidamente chego à conclusão de que o problema não é de agora.
No ciclo – o equivalente aos actuais 5º e 6º anos – não tive namorada por exemplo.
Nessa altura o mais perto que estive de ter uma namorada durou apenas uns breves segundos e foi num jogo de bate-o-pé, num tanque junto a um canavial, na periferia da Escola Preparatória do Bocage. Um sítio romântico portanto, com aquele bailado das canas ao sabor do vento, a renite alérgica e as picadas das vespas e dos mosquitos... Isso é que era...
Lembro-me perfeitamente desse primeiro beijo. Foi especial. Babei a camisa.
E até me recordo do nome da fulana que até hoje deve ter pesadelos com o meu aparelho para os dentes. Chamava-se Sandra, coitada.
Confesso que na altura até as fotos tipo passe tinham medo de mim. Era em tudo parecido com o Richard Kiel, o actor que fez de Boca de Ferro no James Bond, The Spie Who Loved Me, mas com uma diferença: o Boca de Ferro era muito mais giro e não tinha acne.
Depois da preparatória veio a escola secundária Sebastião da Gama. Mais do mesmo. Mais acne, mais ferro na boca e nenhuma namorada.
Recordo com especial carinho o meu primeiro dia de aulas na Sebastião da Gama. Na parte da manhã servi de saco de pancada para uns tipos do 10º ano porque não consegui dizer as horas num relógio sem ponteiros, e na parte da tarde tive de medir o campo de futebol com um fósforo. ...
Naturalmente fiquei sem a mochila, sem o lanche, sem dinheiro para os caramelos e ainda rasgaram os cadernos diários. Vá lá não terem partido os óculos já foi uma sorte.
Foi também no secundário que comecei a ser rotulado de geek, um estatuto que garantia inúmeros previlégios tais como não poder utilizar o polivalente, as casas de banho, e ser sempre eu o primeiro e o único a entrar à estátua. Era girooooo.
Obviamente que a solidão a que fui remetido obrigou-me a associar-me a outros geeks, também eles proscritos pelos demais colegas, e quanto mais me dava com os cromos mais longe ficava do grupo das miudas.
A minha passagem pela Sebastião da Gama durou pouco tempo e terminou com o episódio mais afamado do meu trajecto escolar nessa escola: o dia da bola de futebol.
Um certo dia fazia eu o meu habitual trajecto em redor do pátio da escola – outra àrea interdita aos geeks -, quando ouço chamarem o meu nome. Olho, e à minha frente estava uma bola de futebol, redondinha e mesmo a jeito, era só chutar.
Eu não me atreveria a tocar na bola mas por incrível que pareça alguém grita chutaaaa!, e eis que a minha hora tinha finalmente chegado!
Começo a correr e a grandeza do momento quase foi traduzida num super slow motion acompanhado pelo Chariots of Fire, do Vangelis. Enchi o peito de ar, puxei o pé atrás e desferi um portentoso pontapé que ficou para sempre imortalizado nas páginas douradas da minha adolescência.
Infelizmente a bola estava cheia de areia e pedras e acabei estatelado no chão e desta vez sim, com os óculos partidos.
Com o orgulho ferido de morte achei que dificilmente poderia sacar uma miuda na Sebastião da Gama, a menos que estivesse a pagar uma promessa, por isso resolvi pedir transferência para a escola secundária da Camarinha.
E antes que façam a pergunta, eu respondo: não, também não arranjei uma namorada, mas valeu a pena o esforço.
Também recordo com nostalgia o primeiro dia de aulas na Camarinha. Na altura estavam muito na moda os blusões de penas da Duffy, um artigo caro e por isso pouco acessível à maior parte dos bolsos.
Felizmente tive a sorte de receber um e foi com orgulho que entrei no pátio, ostentando o meu vibrante blusão de penas Duffy amarelo.
Não foi preciso esperar muito tempo para ficar sem o blusão, transformado em tiras esvoaçantes quando fui abordado pelo Gang do Bloco B, armado de ponta-e-molas e outros objectos cortantes.
Escusado será dizer que isso foi só o início. Depois disso veio a interdição do polivalente, a chacota geral e a condição de eterno suplente nos jogos de futebol em educação física. Ou seja, daí a não ter namorada foi outra vez um curto passo.
E se tinha algumas esperanças de sacar uma miuda no secundário, elas ruiram quando a minha professora de português decidiu começar a ler as minhas redacções em voz alta para a turma, apontando-me como um exemplo a seguir no que dizia respeito ao bom português, escrito e falado.
Ora, quem já engatou uma miuda no secundário com uma redacção por favor meta o dedo no ar!
.....
Continuando.
Com isto cheguei ao 12º ano, sem namorada, e a desenvolver um sério problema de calosidade na mão direita! Coooooff!
No essencial, não deixa de ser irónico pensar que quase 20 anos volvidos encontre agora os mesmos problemas que atormentaram a minha adolescência, mas duma forma completamente diferente.
Já não há redacções nas aulas de português, mas um Blog num espaço virtual que aquela data não tinha sido inventado sequer.
Já não meço campos de futebol com fósforos, mas o tempo continua a sua marcha mesmo nos relógios sem ponteiros, e cada minuto que passa estou 1 minuto mais próximo dos bailaricos e de saber tudo sobre a COREGA SEM SABOR 40 G, a tal pasta fixadora que não retira o sabor aos alimentos.
Blheeerk!
sábado, 9 de maio de 2009
Pêxe da Prrofundurra
Aparentemente terá sido um problema no sistema de refrigeração do motor a provocar o fogo. Felizmente andava com algumas garrafas de água na bagageira, e consegui apagar as chamas a tempo de evitar problemas maiores.
Não fossem os problemas de refrigeração do motor que provocaram o incêndio, e eu não andava com as benditas garrafas de água atrás.
Bem vistas as coisas, no meio do azar acabei por ter sorte.
Privado do meu meio de transporte unipessoal vi-me obrigado a recorrer ao meio de transporte alternativo predilecto das classes médias sobreendividadas: o combóio.
Não há muitos dias atrás regressava eu do trabalho no habitual trajecto Roma/Areeiro – Setúbal, quando a minha mente desperta para uma conversa entre duas passageiras sentadas imediatamente atrás do meu banco.
Olhei de soslaio por cima do ombro fingindo que estava a arrumar qualquer coisa na minha mochila. Duas senhoras na casa dos cinquentas, tipicamente setubalenses, vestidas com aquela roupa da modista, e aformoseadas por uma quantidade significativa de bijuteria. Uma viúva, a outra divorciada.
Madame 1: Atão vizinha você tem saíde mais pa onde?
Madame 2: Ê tenhe ide é mais é pá Sela. Goste daquile, do ambiente e das pessoas muito bem aprresentadas..
Madame 1: E a música é muito boa... Porr acaso vão lá uns conjuntos de baile muito bons.
Madame 2: É verrdade, ainda no outrre dia fui ver o Eurrico Andrré.. Aquele moçe toca muito bêim.. Goste tante!
Madame 1: Olhe ê atão é mais é Cleópatrra.
Madame 2: Ah! Diz qu’é muite bom! Nunca lá fui mas já ouvi dizerr que tá semprre muito chêie.
Madame 1: E tem lá uns homens muito bonites também..
(risos)
Madame 2: Ah! Mas lá d’onde ê vou também há disse! Mas ê na ‘tou intrressada... Eles quando vêm assim à arrastarr a asa ê digue logo “desamparra-me a loja”...
Madame 1: Na é q’eu estêja intrressada, mas goste muite de bailarr quando me convidam...
Madame 2: Ê também! E ê na vou assim como você me tá a verr! Mête um vestidezinho, um perrfume, vou à cabelêrrêrra... Nem parreço eu! Vou nos trrinques!
Madame 1: Mas você baila com eles?
Madame 2: Sim! Só que quando eles começam com aquelas histórrias do “goste tante do sê prrefume” ê dôu logue pa trrás...
Madame 1: Ê também... Na querro mais marrides...
Madame 2: Mas ali você na vai encontrrar nenhum marride.
Madame 1: Pois ê sei... O que eles querrem sei eu..
Madame 2: Sexe! Eles querrem todes a mesma coisa...
Madame 1: É tudo pêxe da prrofundurra.
Madame 2: De vez em quande lá aparrece um mais jêtosinhe mas ê cá na querro chatices, tenho a minha casa paga, é só minha e querro lá agorra andarr a trratarr dum homem!
Madame 1: Pois ê perrcebo.. No mê case é diferrente sabe.. Desde que o mê Frrancisque se finou nunca mais tive ninguém, já lá vão quatrre anes...
Madame 2: Pois, uma pessoa vê-se sozinha assim dum momente parra o outrre...
(pausa)
Madame 2: Olhe pelo menos vai sainde aos bailes e na ficou fechada em casa!
Madame 1: Ê saio muito, até vou às matinés e tude! Lá da Cleóptarra toda gente já me conhece.
Madame 2: Temos de combinarr as duas uma matinézinha um dia destes!
Madame 1: Você vai gostarr! Ainda vai arranjarr assim um homem jêtose parra lhe fazerr companhia vai verr..
(risos)
Madame 2: Oh migaaa! É quase tude pêxe da prrofundurra...
- Próxima paragem... Setúbal.
Dou comigo a pensar se daqui a uns anos não vou ser também eu um dos peixes da profundura de que falam estas duas senhoras.
Imagino-me de fatinho cinza brilhante, sapatos lustrosos, com uma camisa branca de listas vermelhas aberta pelo peito para mostrar o belo do fio de ouro, cabelo cheio de brilhantina e puxado para trás por um daqueles pentes fininhos que se guardam no bolso das calças, com um bigodinho ralo e uma rosa vermelha presa no paletó.
Um autêntico pêxe da prrofundurra...
Medoooooo!
...
domingo, 26 de abril de 2009
O Divórcio, as Alergias e os Àcaros
De acordo com o jornal Correio da Manhã, em 2006, data dos últimos dados oficiais publicados pelo INE – Instituto Nacional de Estatística -, foram decretados 23.935 divórcios. Ou seja, a cada 100 casamentos realizados em Portugal 48 terminaram em divórcio. Isto representa quase 1 divórcio a cada 2 casamentos.
Extrapolando para a União Europeia (já agora, somos 27 para quem anda mais desligado destes fait-divers), o Instituto de Política da Família – um organismo internacional independente - apresentou recentemente em Bruxelas os resultados finais de um estudo que aponta para um casamento dissolvido a cada 30 segundos na União Europeia.
Para quem está a ler este post apenas dois parágrafos bastaram para acontecerem 2 divórcios algures na europa dos 27. À semelhança do que acontece em Portugal, na UE a cada 2 casamentos há um que termina ao estalo, e a este ritmo no final de 2009 a taxa de insucesso vai reclamar quase 1 milhão de separações. É muito estalo.
Reportando-nos ao mesmo período de 2006, a OMS – Organização Mundial de Saúde – estimou na altura que cerca de 1/3 da população mundial sofria de doenças alergológicas como a rinite e a asma, provocadas por poeiras domésticas, pólens e pelos repugnantes àcaros dermatofagóides, aqueles mesmo nojentos que se alimentam de pele morta. Blheeerk...
À primeira vista divórcio e alergias são dois problemas completamente díspares e que não têm qualquer relação directa um com o outro.
No entanto, no universo do Homem com Cão nem tudo o que parece realmente é.
Sem grande esforço encontramos desde logo um ponto em comum entre as separações e as alergias: as duas são o pior pesadelo das seguradoras.
Começando pelos divórcios, em Portugal são directamente responsáveis por 1/3 do incumprimento à Banca, ou seja, custam às seguradoras e às instituições financeiras qualquer coisa como 2 milhões de euros por dia. Ui que até doi!
Ainda vamos ver chegar o dia em que os bancos enviam os gestores de conta dos jovens casais para as igrejas, qual atirador furtivo dos GOES:
Padre: ... Se alguém tem alguma coisa a dizer que fale agora ou que se cale para sempreeee!
(silêncio...)
Gestor de Conta: Ora já que ninguém diz nada se calhar vou eu dizer umas palavritaaaas...
Já as alergias colocam quase 2 biliões de pessoas a dependerem de anti-estamínicos como o Zyrtec, e a correrem sérios riscos de adormecerem ao volante:
Ex-Alérgico: Quem és tu?!
São Pedro: Eu? Eu sou São Pedro, o Guardião das Portas do Céu...
Ex-Alérgico: O Guardião?! Mas porquê?!
São Pedro: Porque tenho as chaves possas! Não vês?!
Ex-Alérgico: Não! Eu queria dizer “mas porquê??!” Porque é que eu estou aqui?!
São Pedro: Ahh! Desculpa lá meu filho mas normalmente ninguém repara nas chaves! Oh meu filho tu estás aqui porque tomaste aquele zyrtec para a rinite, lembras-te?
Ex-Alérgico: Quer dizer que... eu... morri?
São Pedro: Pois, olha pensa assim meu filho, pelo menos já não espirras mais pronto!
Mas as coincidências não acabam aqui. Na verdade para qualquer homem com cão que sofra de rinite alérgica e que seja, ou já tenha sido casado, existe de facto uma relação directa entre as alergias e o divórcio. Pertinente e perniciosa... Vejamos o seguinte caso prático:
A semana de trabalho foi longa e cheia dos habituais problemas com o chefe que é uma besta, e que insiste em fazer da nossa vida um inferno para aligeirar a dele que não faz sentido nenhum.
Entretanto recebemos mais uma coima das finanças, aparentemente porque pagamos a última fora de prazo. Como todas as anteriores esta também ficou nos CTT até ao último dia.
Pelo meio a habitual correria do trabalho para a escola dos nossos filhos, a olhar para o relógio parado no trânsito, ou soterrado de gente nos transportes públicos, sem tempo para mais nada a não ser tentar chegar a casa o mais cedo possível, quase sempre tarde demais.
Depois vem o banho dos filhos, demorado porque para eles banheira rima com brincadeira, e com todo o tipo de brinquedos que flutuem, mesmo aqueles que não foram feitos para flutuar.
Segue-se o jantar, colocar a mesa e ajudar com os livros de pintura, tudo isto enquanto ficamos a saber que o Afonso meteu areia nos bolsos do Rodrigo, a Maria fez birra porque queria brincar na casinha das bonecas, e o José deu um soco ao nosso filho no intervalo. Nota mental: falar com o pai do José.
Depois do jantar há que lavar a louça, arrumar a cozinha, a mochila da escolinha para o dia seguinte, preparar a roupa, a dos nossos filhos e a nossa, brincar com os miudos, adormecer os miudos, e tentar não adormecer também para vermos 10 ou 20 minutos de televisão, antes de finalmente adormecermos.
A este ritmo a semana passa depressa e chegados a 6ª Feira perspectivamos enfim o merecido dia de descanso, sem agenda e sem horários. Certo? Ergh.. Errado.
Ela: Esta casa está um nojo! E tu não fazes nada!
Ele: Eu?! Limpei isto tudo na semana passada...
Ela: Olha, e limpaste muito bem sem dúvida!
Filho: Paaa-iiii... Vamos jogar à bolaaaa...
Ele: Já vamos filho... Depois do almoço.
Ela: Depois do almoço vais aspirar a casa!
Filho: Paaa-iiii... Vamos ao McDonalds?
Ela: Vais outra vez ao McDonalds?
Ele: Oh filho vamos noutra altura...
Filho: Ohpaaaaa!
Ela: Vai lá ao McDonalds! Depois dizes que a culpa é minha!
Filho: E podemos jogar à bola depois Paaa-iiii?
Ele: Oh filho temos de limpar a casa...
Ela: Se tivesses limpo bem na semana passada agora não precisavas de limpar outra vez!
Ele: É só o que faço cá em casa, limpar isto tudo!
Ela: Ohh! Tu não fazes nada! Se não for eu a fazer...
Filho: Paaa-iiii... Compras uma pastilha a seguir?
Ele: Compro filho...
Ela: Só coisas boas! McDonalds, pastilhas... Não te esqueças é de limpar a casa!
Ele: Não vais ajudar?
Ela: Tenho trabalho no escritório, e a seguir vou à Luisa fazer a depilação, as unhas e uma esfoliação.
...
E num ápice a nossa merecida tarde de descanso, sem horários e agenda, transformou-se numa luta sem quartel com o pó e com os ácaros dermatofagóides, o que para um homem com cão com rinite alérgica é quase tão agradável como comer lâmpadas à dentadaaaa.
Mudar o saco do aspirador, sacudir o pano do pó, arrastar móveis, sacudir mantilhas e carpetes, com o nariz a pingar enquanto espirramos vezes sem conta atacados por uma persistente comichão capaz de irritar o mais paciente dos otorrinos, é nisto que se transformou o nosso merecido dia de descanso. Num campo minado de ácaros!
Pergunto eu, não haverá aqui afinal uma relação qualquer entre o divórcio e as alergias? Hummm?
Há que perceber que o paciente alérgico, tal como nos divórcios, não nasce hiperreativo. Ou seja, não nasce divorciado.
Normalmente, a hipersensibilidade a determinada substância surge depois de muitos anos de co-existência pacífica, numa altura em que começamos a desenvolver sintomas de intolerância tardios. Vou só sublinhar esta parte dos sintomas de intolerância tardios...
Traduzindo para miudos, o quase-alérgico começa a espirrar com alguma insitência sempre que se vê em contacto com o pó, já o quase-adivorciado começa a pensar no assunto com alguma insistência sempre que se vê em contacto com o aspirador.
Mais pontos em comum. O primeiro desenvolveu uma reacção alérgica ao pó, o segundo à mulher.
Na minha modesta opinião são coincidências a mais.
Se por acaso o seu homem com cão começou a espirrar de forma persistente, em vez duma caixa de anti-estamínicos pense melhor e invista numa mulher-a-dias aos fins-de-semana, e não deixe o seu marido literalmente entregue aos bichos.
Lembre-se, os problemas são como os àcaros, não se vêm mas estão lá.
sábado, 18 de abril de 2009
Conversas de Gajos
*Atenção: Este post contém linguagem explícita de gajos...
Ao contrário das mulheres com gato, os homens com cão raramente ligam entre si porque precisam de falar. Nós não fazemos isso pronto! Ou melhor, se fazemos é porque não estamos ainda certos da nossa sexualidade:
Leonidas: Alô? Doriváu?
Doriváu: Vem meu querido vem!
... blheerk! ...
Portanto, excepção feita aos Dorivaus e aos Leonidas desta vida, gajo que é gajo não liga para disabafá com ninguém.
Há outras formas de o fazermos, e como nestas coisas somos até bastante práticos, nada melhor do que uma tarde de bola para procurarmos conforto junto do amigo mais próximo.
Bifanas, mines, futebol e gajas. Um cenário insuspeito e que permite falar de qualquer assunto do foro pessoal sem que o nosso ego saia diminuído.
Afinal estamos a dar o flanco e a expôr fraquezas que são só nossas, e que nem à nossa mãe contamos. Não podemos fazê-lo numa mesa de café com a lágrima no canto do olho! Depois o que se seguiria? Um abraço em público com dois marmanjos lavados em lágrimas?? Helloooo?! Cena muito Gaaaay?!
Não. Nós abrimos o coração sim, mas no meio de 50.000 gajos no intervalo do jogo, e com as cheerleaders do Benfica a dançarem de mini-saia no meio do relvado! Isso sim, é d’Homem!
Lembram-se do meu amigo Bruno? Aquele dos leitinhos e do tulicreme... Esse mesmo!
Eu: Trazes as pastilhas para o estômago?
(risos)
Bruno: Ehpa, não gozes! A minha mãe exagera fogo!
Eu: Oh então é normal pah, é a tua mãe. Bruno: Pois, sabes como é... Ainda por cima sou filho único. Eu: Pois eu sei. Dou-te 5 minutos e está a ligar a dizer para ires com cuidado, vais ver. Bruno (já a dar pancadas no volante): Ehpa nem me digas nada. Odeio quando ela faz isso! Olha a Guida passa-se com isso. Eu: Pois... Olha mete pela Vasco da Gama, a 25 de Abril deve estar completamente cheia a esta hora... Pois coitada da Guida pah, tem de aturar-te a ti e à Dona Ana(risos)
Bruno: Elas dão-se bem uma com a outra..
Eu: Dão-se bem porque tu ainda vives com a tua mãe, e a Guida vai lá a casa e sabe que não pode dizer nada... Um dia que te juntes vais ver como é! Bruno: Ehpa eu não vou juntar-me tão cedo Pedro... Pelo menos com a Guida!Eu: Então? Pensava que estavas bem com a Guida pah...
Bruno: Ehpaa.. Estou e não estou! A Guida não é mulher de fazer planos pah.Entretanto toca o telefone... Olho de soslaio, mamã no ecrã. Belisco-me na perna para não me rir.
Eu: Olha, o que é que eu disse?! 10 minutos! Atrasou-se desta vez (risos) mete em alta voz! Bruno: Estou mãe... Dona Ana: Estouuuu? Filho? Ai ouve-se tão maal!
Bruno: Oh mãe está em alta voz!
Dona Ana: Ahh! Olha filho não metas o saco com os leites ao sol!(ahahahahahahahaah!)
Bruno: Oh mãe... Dona Ana: Olha, ouvi aqui na rádio que a Ponte 25 de Abril está cheia, desviaste para a Vasco da Gama? Bruno: Sim mãe, desviei...
Dona Ana: Pronto, vai com cuidado filho! Oh Pedro está a ouvir?
(ahahahhh... ergh??)
Eu: - cooff cooff – Estou sim Dona Ana, diga...
Bruno (entretanto com o alta voz desligado já): Ehpa foda-se! Para de gozar! ... Oh mãe eu vou desligar está bem? Depois falamos vá lá... .... sim sim ... Está bem, beijinhos...
...
Bruno: Vá, ri-te à vontade...
Eu: Ehpa amor de mãe.. Estás lixado tu (risos) olha que nenhuma gaja vai aturar isso, muito menos a Guida... Bruno: Eu e a Guida... Ehpa nós não estamos lá muito bem os dois... Também foi por isso que te liguei para irmos à bola. Eu: Então mas podiamos ter falado no café...Bruno: Ehpa isso é uma cena gay, assim sempre vemos a bola, comemos umas bifanas e bebemos um sumol.
Eu: Beber um sumol na bola também é uma cena muito gay pah (risos). Olha e o lanche da tua mãe? Bruno: Eu levo isso amanhã para o trabalho, deixa lá...Eu: Então e a Guida? O que se passa? Mas vocês não estavam bem os dois?
Bruno: Ehpa estavamos, mas discutimos na 3ª Feira e olha ela não me ligou mais e eu também não lhe liguei e pronto... Eu: Ehpa.. Mas discutiram porquê? Bruno: Ehpa não dá para um gajo fazer planos com a Guida! Ela só quer é jantaradas, e saídas à noite com as amigas e viajar... Os pais pagam-lhe tudo em casa, e o guito que ela ganha é para estourar... Eu: Mas tu já sabias disso logo no início... Ehpa também não te percebo! Acabaste com a Teresa porque era uma sem-sal e agora não estás bem com a Guida? Bruno: A Teresa é uma miuda espectacular, como deve ser. Ehpa eu ponho as minhas mãos no fogo por ela, já não se fazem mulheres assim... Olha é como a minha mãe e a tua! Eu: Mas acabaste com ela porque não te dava tesão na cama... Se calhar é por isso que é tão parecida com as nossas mães(risos)
Bruno: Foda-se oh Pedro, um gajo está ali parece que está com a Madre Teresa de Calcutá... Ela não se mexia, só dizia “adoro-te tanto amor, adoro-te tanto amor”. Mas o que estragou tudo foram os ciumes, sabes disso...
Eu: Pois. Ela é um pouco psycho sim. Mas a Guida tem andamento. E não é ciumenta. Bruno: Ehpa a Guida dá grandes fodas, não há dúvida... Ela mexe-se muito bem... Eu: Então mas vocês discutiram porquê? Bruno: Por causa duma merda dum frigorífico! Eu: Hann? ... Olha ali um lugar! Bruno: Sim, já vi... Ela disse que não percebia porque é que as pessoas poupam dinheiro para comprar um frigorífico se podem viajar! É mesmo de quem não tem nada na cabeça! Eu: Tens de dar um desconto Bruno, afinal ela usa o frigorífico dos pais.Bruno: Mas eu também uso! O que está aqui em questão é a forma como ela pensa!
Eu: Pois realmente... Mas a Guida é boa pah. E é gira. Olha que não vais arranjar uma miuda assim tão depressa. E ela gosta de ti. Bruno: Pois eu sei. Mas também não me ligou mais.Eu: Ehpa as mulheres gostam de fazer esses jogos do “agora não te ligo para ver se ligas” e tal... Deve estar à espera que tu ligues de certeza absoluta.
Bruno: E achas que deva ligar? Eu: Claro que sim pah! Deixa-te dessas merdas, isso são cenas de gaja. Bem não vais ligar agora... Olha ali a barraquinha do Tobias! Bruno: Uiiii! O Tobiaaaaaas! Mel!....
Entretanto o telemóvel volta a tocar. Advinhem...
Bruno: Sim mãe... Sim, já chegamos... Humm humm... Sim, vamos entrar agora. Sim trouxe o lanche comigo... Vá... Beijinhos, beijinhos.
Eu: Tu não prestas pah! A mentir à tua própria mãe por causa duma bifana do Tobias(risos)
Bruno: Ehpa isso não conta como mentira. Também é só uma.
...Eu: Olhe, se faz favor! São duas bifanas e dois sumois de ananás!
Senhor das bifanas da barraca do Tobias: Dois quê? Eu: Ergh.. Dois sumois.. De ananás... Senhor das bifanas da barraca do Tobias: Se quiser um chazinho também se arranja!Entretanto algumas dezenas de saguins interrompem o repasto para regozijarem perante a presença de dois aparentes tótós junto da barraquinha do Tobias...
Eu: É sempre a mesma merda foda-se... Bruno: (chomp.. chomp..) Ya.. Olha come de boca aberta e não te esqueças de sacudir a perna enquanto coças os tomates
(risos)
Eu: Mas o que é que esta gente tem contra o Sumol? É feito em Portugal há 50 anos pah!
Bruno: Deixa lá ver se isto hoje corre bem com o Benfas... Eu: Olha e o que vais fazer com a Guida? Bruno: Eu ligo-lhe logo à noite quando chegar. Eu: Mas tu ainda gostas dela? Bruno: Ehpa gosto, mas não estou a ver nenhum futuro nisto (chomp..) as bifanas são mesmo boas pah... Eu: (chomp..) pois são (chomp..) olha ali à tua esquerda, o melhor rabo aqui das barraquinhas. Bruno: (chomp..) o de vermelho?Eu: (chomp..) yap!
Bruno: Ehpa é redondinho (chomp..) e faz aquela curva nas costas.. Eu: Aqui na bola é um 8 na boa....
Entretanto a fulana vira-se...
Nós: Ehpaaaaaaaaaa!! Saiu ao pai!
Bruno: Baixa para 6!Eu: Com muita boa vontade...
Bruno: Minha rica bifana!
Bruno: Queres outra?
Eu: Ya! Pede mais um sumol também...
Bruno: Olha pede tu!
Eu: Temos de deixar de beber sumol pah...









